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Goiânia, 21/05/26
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Na sexta e no sábado, falhas graves na acústica deixaram o som da arena principal praticamente inaudível para quem estava do meio para o fundo da pista

Shows previsíveis e erros graves de estrutura marcam a 1ª semana da Pecuária de Goiânia

18/05/2026, às 11:59 · Por Redação

Shows previsíveis, problemas crônicos no som e o fim das tradicionais boates marcaram a primeira semana da Pecuária de Goiânia. A única e grata exceção ao mar de mesmice foi a estreia da banda de forró romântico Seu Desejo, na quinta-feira — possivelmente a única verdadeira inovação desta edição.

Apesar de o público goiano ainda estar se familiarizando com o grupo cearense, os vocalistas Yara Tchê e Alessandro já arrastam multidões há quase duas décadas. No palco, o ex-casal esbanjou carisma e presença de palco, provando que a parceria musical segue intacta e conquistando de vez o coração dos goianos.

Ainda na quinta-feira, a dupla Matheus & Kauan entregou o "mais do mesmo": um show burocrático e com a falta de energia habitual. A grande estrela da noite foi Simone Mendes, a principal responsável por atrair as supostas 70 mil pessoas ao parque de exposições — um número bastante contestável, como explicarei adiante.

Apagão técnico e falta de energia

Na sexta-feira, a programação parecia operar em modo "redução de custos". Leo Magalhães e Rionegro & Solimões se apresentaram para um público visivelmente desanimado. Quem teve a coragem de comparecer ao parque até foi recompensado pelo repertório de Leo Magalhães, que fugiu do óbvio ao resgatar grandes sucessos do início da década de 1990 de Leandro & Leonardo e Zezé Di Camargo & Luciano. Contudo, falhas técnicas graves comprometeram o espetáculo.

No início do show de Leo, o cantor estava sem retorno, a voz sumiu e as caixas de som falharam sistematicamente. Quem estava na arena ou nos camarotes mais afastados ouvia apenas o coro dos próprios fãs. Um erro lamentável. Na sequência, o som foi corrigido, mas a dupla Rionegro & Solimões parecia estar em período de piracema: faltou energia e o show não engrenou.

No sábado, a acústica da Arena continuou terrivelmente ruim. É sabido que grandes eventos são desenhados cada vez mais para privilegiar os camarotes. No entanto, os dias de entrada franca na arena são subsidiados por emendas parlamentares — ou seja, dinheiro do contribuinte —, e o público merece respeito. O show de drones do DJ Alok foi o ponto alto da noite, mas 70% do público só conseguiu ver o espetáculo visual, já que o som estava completamente inaudível da metade para o fim da arena.

Fiasco na comunicação e "público fantasma"

Os problemas de organização ficaram evidentes do lado de fora, com centenas de cambistas vendendo ingressos livremente, especialmente no sábado. O cenário expõe falhas graves na divulgação sobre a retirada dos bilhetes. O site oficial do evento é confuso e prioriza a venda de camarotes, induzindo o público ao erro. Sem conseguir emitir a cortesia virtual, muitos cidadãos ficaram reféns do ágio na porta, ironicamente em um evento que anunciava a tecnologia de reconhecimento facial como barreira de segurança.

Outro ponto que soa como piada é a divulgação dos dados de público. Afirmar que havia 70 mil pessoas na quinta-feira e no sábado é irreal. Quem frequentou a Pecuária em seu auge, em shows históricos de Marília Mendonça ou Cristiano Araújo, sabe bem que o público atual não passava da metade do anunciado.

Esse fenômeno pode ser explicado por duas hipóteses: cambistas emitindo lotes de ingressos em nome de terceiros para comercialização ou uma alta taxa de absenteísmo — pessoas que retiram a cortesia e não comparecem. O evento erra feio ao não criar um mecanismo para liberar esses ingressos ociosos na portaria para quem acabou barrado sob a justificativa de "lotação esgotada".

O fim da era das boates

Historicamente, a Pecuária de Goiânia era famosa por suas boates badaladas, como as icônicas Toros e Toyota, hoje reduzidas a ruínas. Atualmente, o evento foca em camarotes exclusivos (cujos problemas estruturais serão abordados em uma próxima coluna).

Para piorar, o palco Deboxe, dedicado ao som automotivo e instalado no meio do parque, acabou de sepultar o conceito de boate nesta edição. A iniciativa seria válida se funcionasse estritamente como um after (pós-show), mas virou um espaço independente que invade e atropela o som já deficitário do palco principal. Quem foi assistir ao Alok e preferiu não se espremer na frente do palco acabou sendo obrigado a assistir aos drones ao som de eletrofunk goiano, que ecoava a poucos metros dali.

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