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Desafio de Pedro Gonçalves é superar trauma no MDB que vitimizou Renato de Castro

21/09/2020 · Por Pedro Lopes

Quem conhece o estilo diplomático do prefeito de Goianésia, Renato de Castro (MDB), poucas vezes o viu elevar o tom como no último dia 16 ao anunciar que lançaria seu primo Leonardo Menezes (DEM), após ser preterido pelo partido em detrimento de Pedro Gonçalves. 

O prefeito falou em democracia e citou diretamente o presidente estadual do MDB, Daniel Vilela. “O cidadão que acha que alguém é obrigado a apoiá-lo, esse cara não conhece a democracia, então o Daniel Vilela achar que eu sou obrigado a apoiá-lo... Esse cara não conhece a democracia”, disse à Rádio Vera Cruz no dia 17, após um período de em silêncio nos dias que precederam a convenção no dia 16. 

O recolhimento, deliberado ou não, teve um efeito ensurdecedor do ponto de vista político, pois as articulações criavam o sentimento da exclusão do emedebista sem direito à defesa, sacramentada em reunião em outra cidade. 

Além disso, Renato recuperava, por ora, o controle da narrativa que havia perdido desde o início da pandemia do conronavírus. O prefeito sempre foi popular, sujeito de andar, conversar, frequentar feiras, festas, embora falasse pouco à imprensa e de poucas interações nas redes sociais. 

Compreensível a quem experimentava quase sempre uma popularidade na casa de 80%, mas aí chegou a pandemia e faltou o freio de arrumação na comunicação. O cenário havia mudado, mas a estratégia não. A queda em pelo menos 20 pontos na avaliação, segundo pesquisas internas, se deu em decorrência da manutenção no estilo de voo de cruzeiro, mas com outra atmosfera, turva e instável. Voltaremos a falar de comunicação no final. 

Além da lógica, a cabeça do eleitor brasileiro tem grande peso cultural alicerçado, sobretudo, numa herança judaica-cristã, preceito caro aos 90% da população católica ou protestante, que segue a moral que, dentre outras coisas, rejeita qualquer tipo de injustiça (estamos falando do que parece ser) e tende a vitimizar politicamente quem assim for ou quem parecer se fazer como tal. 

Veja a seguinte frase de Renato já com sua situação definida: “então são dois pesos e duas medidas. Eu não apoiei o Daniel, mas não tirei dele a oportunidade dele disputar o governo do Estado e ele tirou de mim. Ele tirou de mim a oportunidade de disputar a Prefeitura de Goianésia”, emendou na mesma entrevista à Vera Cruz. A declaração alastrou como pólvora nos grupos políticos, ou não, da maior e mais importante cidade do Vale do São Patrício e reforçou a narrativa que tem potencial de transferir votos maciçamente e ainda levar parte dos que brandem contra a “traição”. 

Ao delimitar a “culpa” de Daniel, Renato em outro gesto de sabedoria política de seu discurso fala a quem realmente importa: o eleitor de Goianésia. “A rasteira que eu tô levando ela foi patrocinada pelo Pedro e pelo Geovani e nem é pelo MDB, o MDB não foi ouvido, tiveram que levar a convenção para Goiânia porque se fizesse aqui eu ganhava. O MDB 99% dele tá comigo. A rasteira que eu acho horrorosa é do Pedro, principalmente do Pedro”, emenda. 

Sim, Renato termina uma semana de pesadelo como protagonista de sua sucessão, mesmo fora dela diretamente. A pergunta que fica é: foi um respiro movido pelas circunstâncias ou esse novo Renato continuará para pesadelo dos adversários do Leozão? O resultado da escolha de Pedro e a consequente reação eram calculados, mas por ora tem apenas fumaça de uma solidariedade cristã. Nada foi cristalizado ainda. Quem conhece de marketing político sabe o que estou falando. Aliados ainda serão empurrados pelas circunstâncias, outros serão arrastados para A ou B, em um movimento no tabuleiro nos próximos dias que serão decisivos. 

Caberá a Renato manter sua base leal ao plano Leozão, pois uma vitória de Pedro significará que o ora injustiçado foi transformado em mais um perdedor político, daqueles que as pessoas podem ter mil razões para sentir pena, mas daí segui-lo tem uma diferença assimétrica. Não custa lembrar que o cristianismo surgiu 90 anos depois da morte de Cristo. O tempo político corre depressa. 

Já Pedro tem a tarefa de passar confiança à base emedebista, saber explicar que protagonismo é esse que vislumbra o MDB, além de transformar em sentimento a ideia de que a união de dois adversários históricos é para o bem da cidade e não para servir a caprichos de uma prole. Trocar uma por outra. O que mudará para o eleitor, de forma prática, do que estava sendo feito e por que? 

Poucos lances com o mínimo de peças foram movidos, em um jogo que não perdoará qualquer amadorismo. Na política e na comunicação.

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