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Redução da jornada pode aumentar em 8% os gastos com pessoal das empresas de ônibus e acrescentar R$ 1 à tarifa técnica. Comurg e contratos de terceirização também estão sob avaliação
Fim da escala 6x1 pode elevar custos do transporte e da limpeza urbana em Goiânia
03/11/2026, às 12:10 · Por Redação
O fim da escala 6x1 deve pressionar os custos de serviços públicos essenciais em Goiás, com possíveis impactos sobre o transporte coletivo, a limpeza urbana e contratos de terceirização. A mudança na jornada de trabalho pode exigir novas contratações e reajustes contratuais, enquanto órgãos públicos e empresas avaliam os efeitos operacionais e financeiros das novas regras.
No transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia, a estimativa apurada pela reportagem é de que a alteração provoque aumento de 8% na folha de pagamento das empresas. O impacto pode acrescentar cerca de R$ 1 à tarifa técnica, atualmente em R$ 12,66.
O Sindicato das Empresas de Transporte Público Coletivo de Goiânia e Região Metropolitana (SET) confirmou que a mudança terá reflexos no sistema e informou que aguarda a conclusão das etapas legislativas e a regulamentação das regras para planejar as adequações.
A projeção ocorre em um cenário de pressão sobre as despesas com pessoal, que já incluem outras questões, como a reoneração da folha de pagamentos.
Comurg e limpeza urbana podem precisar de reforço no quadro
Em Goiânia, a Prefeitura informou que a Companhia de Urbanização (Comurg) é o órgão municipal com potencial impacto direto sobre os servidores, uma vez que a maioria dos trabalhadores da companhia é contratada pelo regime celetista e cumpre jornada de 44 horas semanais.
Segundo a administração municipal, a Comurg vai avaliar se precisará ampliar o quadro de funcionários ou se conseguirá absorver a redução da jornada.
Os contratos com empresas terceirizadas que envolvem mão de obra também serão analisados individualmente, com base nas planilhas de composição de custos.
O consórcio Limpa Gyn, responsável pela limpeza urbana da capital, avalia que a mudança poderá representar impacto financeiro significativo. A empresa aponta a possibilidade de necessidade de contratação de mais coletores e outros profissionais operacionais para garantir a continuidade dos serviços.
O consórcio, porém, afirma que ainda é prematuro estimar quantos trabalhadores serão afetados, o número de novas contratações e os reflexos financeiros.
Eventuais adequações e pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato com a Prefeitura deverão passar por avaliação técnica e observar as condições contratuais.
Saneago avalia efeitos da nova jornada
A Saneago também estuda os possíveis impactos da mudança nas escalas de trabalho, considerando efeitos operacionais, administrativos, financeiros e de gestão de pessoas.
Em nota, a companhia informou que os estudos buscam identificar cenários e definir medidas para assegurar a continuidade dos serviços, a eficiência operacional e a sustentabilidade econômico-financeira.
Já o Governo de Goiás afirmou que não prevê impacto para os servidores públicos estaduais. Em relação aos trabalhadores terceirizados, a administração informou que a adequação seguirá as regras de transição previstas na norma e que eventuais efeitos sobre custos e execução dos serviços serão analisados conforme cada contrato.
Prefeitos cobram compensação financeira
O presidente da Associação Goiana dos Municípios (AGM) e prefeito de Hidrolândia, José Délio Jr., afirmou que os municípios não participaram de discussões com o governo federal e o Congresso sobre os efeitos da redução da jornada.
Segundo ele, as prefeituras terão de avaliar a situação de servidores efetivos e comissionados que trabalham atualmente 44 horas semanais, além de revisar contratos de terceirização em diferentes áreas.
“Esses pedidos todos vão vir, de realinhamento de contrato e de preços, para que os municípios arquem com isso. E em nenhuma forma foi feito nenhum contato com os municípios. É uma preocupação muito latente que temos”, afirmou.
Para o dirigente, os municípios devem buscar compensação financeira da União, em uma discussão que deverá envolver a Confederação Nacional dos Municípios (CNM).
Levantamento da entidade estima que a redução da jornada poderá provocar impacto de R$ 6,6 bilhões por ano nos orçamentos municipais brasileiros. O estudo alerta para possíveis aumentos nas despesas obrigatórias das prefeituras, com reflexos sobre o equilíbrio fiscal e a manutenção dos serviços públicos.
Transição prevê redução gradual da jornada
A mudança aprovada pelo Congresso prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial, além da adoção de dois dias de descanso por semana.
Conforme o cronograma descrito na proposta, a nova regra começa a valer em 16 de dezembro de 2026, com jornada de 42 horas semanais. A redução para 40 horas está prevista para dezembro de 2027.
Os impactos sobre serviços essenciais e contratos públicos ainda dependem das adequações e da aplicação das regras de transição.
Escala 6x1 Prefeitura de Goiânia

