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Goiânia, 22/10/26
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Foto: Gabriel Paiva

Para quem não conhece a dinâmica interna do PT pode soar baixaria, mas confusões desse naipe acontecem com alguma rotina na sigla

Coluna do Pablo Kossa: Adriana Accorsi tem razão na treta interna do PT

20/10/2026, às 23:55 · Por Pablo Kossa

Adriana Accorsi estourou e falou poucas e boas a seus companheiros de PT num grupo de WhatsApp. A deputada federal reeleita com enorme votação descascou geral numa sequência de falas que não combinam com seu jeito usual, sempre tão afável.

 

Não é o normal dela, mas é super compreensível. O que não faltou foi gente do seu próprio partido tentando lhe puxar o tapete ao longo dos meses que antecederam a urna. Usaram de vários subterfúgios no intuito de empurrá-la para o sacrifício de uma candidatura ao governo estadual, fofocaram que seu estado de saúde era frágil, plantaram notinhas maledicentes sobre sua condição psicológica. A baixaria correu solta.

 

Agora ela explodiu.

 

Segundo matéria de Fabiana Pulcineli no jornal O Popular, ela foi pra cima de quem tentou desestabilizá-la internamente.

 

"Hoje em reunião com o presidente Edinho, ele me disse que pessoas do PT aqui mentiram a ele que eu estava doente e não iria conseguir coordenar a campanha do Lula em Goiás. Olha eu doente aí (ela compartilhou uma foto dela no palanque ao lado de Guilherme Boulos, na Praça Universitária em Goiânia). Só lamento para vocês sem voto. Chorem mais."

 

Ela bateu duro e enfiou o dedo na ferida pra machucar de verdade: chamar de sem voto é humilhação.

 

Para quem não conhece a dinâmica interna do PT pode soar baixaria, mas confusões desse naipe acontecem com alguma rotina na sigla. O pau canta solto entre as correntes internas do partido. É assim que se dá a disputa intestina por ali. Para fora, o discurso é de união. Já nas internas, é um pega pra capar.

 

Até aqui, se trata de uma reação de quem engoliu muito sapo e agora, endossada por votação consagradora, resolveu exorcizar os demônios que lhe atormentavam.

 

Mas a coisa fica mais séria quando Adriana diz que vai fundar uma nova corrente no PT. Aí eu acho que a coisa fica mais delicada. O PT goiano tem o Movimento Cerrado que reúne alguns nomes de peso local do partido, mas não é uma tendência com atuação nacional. Acaba que na prática é uma espécie de jabuticaba goiana.

 

Essa nova tendência pensada por Adriana terá conexão nacional ou se limitará a Goiás? Conseguirá agregar outras lideranças de peso? Vai brigar por espaços na Executiva nacional do partido?

 

Não são coisas triviais a organizar. Por isso que acho que foi uma fala pouco refletida, de cabeça quente.

 

Mas aguardemos. Por ora, lembremos o ditado que diz que vingança é um prato que se come frio. Adriana esperou as urnas mostrarem qual o peso real de seus adversários internos para devorá-los.

 


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