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Agência Senado
Federações e sindicatos patronais apontam dificuldades para contratar trabalhadores, pressão sobre os preços e impactos maiores para pequenos negócios com a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas
Setor produtivo de Goiás alerta para custos e risco de demissões com fim da escala 6x1
16/10/2026, às 14:17 · Por Redação
A aprovação, pelo Senado Federal, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e prevê dois dias de descanso remunerado gerou preocupação entre representantes do setor produtivo e do comércio em Goiás. Entidades empresariais alertam para possíveis aumentos nos custos operacionais, repasses aos preços e dificuldades para manter vagas e serviços, especialmente em atividades que funcionam diariamente.
O texto aprovado prevê uma transição gradual, com limite de 42 horas semanais nos primeiros meses após a promulgação, até alcançar 40 horas ao final de 14 meses. Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, a mudança pode afetar a competitividade das empresas e interferir em acordos coletivos já firmados. Segundo ele, alterações nas regras trabalhistas podem elevar os custos de produção e refletir nos preços pagos pelos consumidores.
O vice-presidente da Fieg, Flávio Rassi, também questionou o ritmo de tramitação da proposta e demonstrou preocupação com os efeitos sobre micro, pequenas e médias empresas. Na avaliação dele, grandes indústrias têm mais condições de investir em mecanização e automação, enquanto negócios menores enfrentam limitações para absorver despesas adicionais e reorganizar as equipes.
No comércio, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Goiás (Fecomércio-GO) prevê pressão sobre os preços caso as empresas precisem contratar mais funcionários para manter o funcionamento. O presidente da entidade, Marcelo Baiocchi, afirmou que a redução da jornada pode elevar os custos e citou estimativas de aumentos de até 30% em determinados contextos. Já o Sindicato do Comércio Varejista no Estado de Goiás (Sindilojas-GO) criticou a falta de diálogo com o setor antes da aprovação da medida.
A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Goiânia considera curto o prazo de adaptação, principalmente para empresas de pequeno porte. A superintendente da entidade, Hélia Gonçalves, defendeu planejamento antecipado, orientação contábil e negociação coletiva para adequar as escalas. O setor busca alternativas para reorganizar horários sem comprometer o atendimento e a sustentabilidade financeira dos estabelecimentos.
Bares, restaurantes e hotéis também apontam desafios. O presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, estimou que seriam necessários mais de 3 milhões de trabalhadores no país para manter a mesma oferta de serviços com a mudança. Em Goiânia, o presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes (Sindibares), Newton Pereira, afirmou que o setor concorda com a redução da jornada para 40 horas, mas vê dificuldades na adoção de dois dias de descanso semanal sem ajustes na organização do trabalho.
No segmento de supermercados, a Associação Goiana de Supermercados (Agos) destacou que a operação contínua exige cautela na implementação das novas regras. O presidente da entidade, Sirlei Antônio do Couto, defendeu a busca por equilíbrio entre a valorização dos trabalhadores e a sustentabilidade das empresas. Segundo a associação, estabelecimentos menores terão menos margem para absorver novos custos e poderão depender de tecnologia e negociação sindical.
A construção civil e o mercado imobiliário também manifestaram preocupação. O presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), Felipe Melazzo, afirmou que o setor enfrenta escassez de mão de obra qualificada e citou estimativas de aumento médio de 10% nos preços dos imóveis com a implantação das mudanças. Representantes empresariais defendem que a regulamentação e a transição considerem as diferenças entre os segmentos econômicos, enquanto o debate sobre a redução da jornada continua no âmbito político e legislativo.
Setor produtivo Demissões Escala 6 x 1
