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Goiânia, 16/10/26
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Rede acumula R$ 148,6 milhões em créditos habilitados e enfrenta dificuldades para manter suas operações em Goiás; encontro depende de autorização da Justiça e definirá os próximos passos da renegociação das dívidas

Super Barão pode reunir 1.199 credores em assembleia de recuperação judicial em novembro

14/10/2026, às 09:34 · Por Redação

O Grupo Super Barão, responsável pela rede de supermercados Barão, poderá realizar em novembro a Assembleia Geral de Credores para discutir seu plano de recuperação judicial. O processo reúne 1.199 credores habilitados, com créditos que somam aproximadamente R$ 148,6 milhões. O administrador judicial, advogado Dyogo Crossara, solicitou à Justiça a definição da data do encontro, no qual será analisada a proposta de renegociação das dívidas da empresa, que enfrenta dificuldades financeiras e mantém o fechamento de unidades como parte de sua reestruturação.

A realização da assembleia representa uma etapa do processo iniciado em 2025, quando o grupo recorreu à Justiça para tentar reorganizar suas finanças e preservar parte das atividades comerciais em Goiás. A reunião permitirá que os credores avaliem as condições de pagamento apresentadas pela rede e decidam sobre a aprovação ou rejeição do plano de recuperação.

Segundo Crossara, o quadro de credores já foi consolidado, o que permite avançar para a análise da proposta. Apesar disso, o administrador reconhece que a situação financeira da empresa continua a exigir medidas para viabilizar a continuidade das operações. A expectativa é que a reunião ocorra no próximo mês, embora a definição dependa de decisão judicial. "Mas pedimos para que a Assembleia seja marcada para o próximo mês de novembro", afirmou o advogado ao jornal O Popular.

Entre as medidas previstas no plano de recuperação judicial estão a aplicação de descontos sobre os valores devidos aos credores, mecanismo conhecido como deságio, e a possibilidade de alienação de bens para levantar recursos destinados ao pagamento das obrigações. As condições serão submetidas à avaliação dos credores durante a assembleia. Caberá aos participantes deliberar sobre a proposta, conforme as regras estabelecidas pela legislação que disciplina os processos de recuperação judicial.

O administrador judicial avalia que a situação do grupo permanece difícil, especialmente diante da necessidade de reorganizar as operações comerciais e garantir recursos para o cumprimento das obrigações financeiras. No processo, os créditos trabalhistas possuem tratamento específico e proteção legal. A legislação estabelece regras próprias para o pagamento dessas obrigações, que deverão ser observadas na elaboração e na execução do plano de recuperação.

A definição de um cronograma de pagamentos dependerá das deliberações da assembleia e das etapas posteriores do processo judicial. Até o momento, não há confirmação sobre as datas em que os credores começarão a receber os valores previstos na negociação.

Rede reduziu lojas e quadro de funcionários
O Grupo Super Barão informou à Justiça que suas dificuldades financeiras tiveram início em 2021, após um período de expansão das atividades. Entre os fatores apontados pela empresa estão o endividamento decorrente dos investimentos, a elevação das taxas de juros, a redução da rentabilidade e mudanças em sua estrutura societária. A rede também relatou a existência de uma disputa societária, posteriormente encerrada por acordo. Antes mesmo de recorrer à recuperação judicial, o grupo já havia adotado medidas de contenção de despesas, com redução de aproximadamente 50% no número de lojas e no quadro de funcionários.

De acordo com o administrador judicial, a empresa possuía inicialmente 11 unidades. Parte dos estabelecimentos foi vendida, enquanto outros passaram a operar com nomes diferentes. Algumas lojas permanecem em funcionamento, mas Crossara não informou quantas unidades continuam sob a administração do grupo. A Soma Contabilidade, empresa que também integra o conglomerado, permanece em atividade.

O fechamento de estabelecimentos provocou consequências para os trabalhadores. Em 2025, ex-funcionários da rede realizaram uma manifestação em frente à sede administrativa da empresa para cobrar salários que, segundo os participantes, não haviam sido pagos após o encerramento das atividades de algumas unidades.

Justiça autorizou recuperação judicial em junho de 2025
O pedido de recuperação judicial foi deferido em junho de 2025 pela juíza Laura Ribeiro de Oliveira, da 25ª Vara Cível de Goiânia. Na ocasião, a magistrada também concedeu medidas de urgência destinadas a preservar as condições de funcionamento da empresa durante a reorganização financeira. Entre as determinações estava a manutenção dos contratos de locação dos imóveis utilizados pela rede. A decisão também impediu que fornecedores se recusassem a comercializar mercadorias mediante pagamento à vista, além de estabelecer restrições à interrupção de serviços essenciais, como fornecimento de energia elétrica, água, telefonia e internet.

As medidas tiveram como finalidade evitar que a situação financeira da empresa provocasse a paralisação imediata de suas atividades, enquanto o grupo buscava negociar suas obrigações com os credores. A recuperação judicial permite que empresas em dificuldades financeiras apresentem propostas para reorganizar suas dívidas sob supervisão da Justiça. O procedimento envolve a atuação de um administrador judicial, responsável por acompanhar as etapas do processo e fiscalizar o cumprimento das obrigações previstas na legislação.

A aprovação do plano pelos credores constitui uma das fases centrais desse procedimento, pois estabelece as condições que poderão orientar o pagamento das dívidas e a continuidade das atividades empresariais.

Super Barão afirma que fechamento de lojas faz parte da reestruturação
Em nota ao jornal O Popular, a Rede de Supermercados Barão informou que o processo de recuperação judicial continua em andamento, com acompanhamento da administração judicial e observância das etapas previstas. A empresa confirmou que o encerramento de unidades integra as medidas adotadas para reorganizar suas operações e adequar a estrutura comercial à situação financeira enfrentada pelo grupo. "A reestruturação das operações, incluindo o fechamento de unidades, está contemplada no plano de recuperação judicial apresentado", informou a assessoria da rede.

Sobre o pagamento das dívidas, a empresa esclareceu que ainda não existe um cronograma definitivo. A definição dependerá da realização da Assembleia Geral de Credores e das decisões tomadas durante o encontro. "A rede reafirma sua confiança na viabilidade da recuperação judicial e no cumprimento do plano apresentado, respeitando todas as etapas legais do processo", concluiu a nota.


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