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Vereadora Aava Santiago questionou a rapidez de sua substituição por Michel Magul; retorno ao mandato após liminar do CNJ retirou Rose Cruvinel da composição da direção do Legislativo
Aava Santiago critica tentativa de cassação e provoca mudanças na mesa diretora da Câmara de Goiânia
11/10/2026, às 09:00 · Por Redação
A eleição da mesa diretora da Câmara Municipal de Goiânia, realizada neste sábado (10/10), foi marcada por manifestações das vereadoras Aava Santiago (PSB) e Rose Cruvinel (União Brasil). Após recuperar o mandato por força de uma liminar do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Aava acusou a existência de interesses políticos por trás de seu afastamento. O retorno da parlamentar também provocou uma alteração na chapa encabeçada por Thialu Guiotti (Avante), com a retirada de Rose de um dos cargos da direção da Casa.
Em discurso no plenário, Aava questionou a rapidez com que a Câmara cumpriu a determinação do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) que havia resultado na perda de seu mandato por infidelidade partidária. Na sexta-feira (9), o suplente Michel Magul (PSDB) chegou a tomar posse na vaga da vereadora, antes que o CNJ suspendesse os efeitos da decisão eleitoral.
A parlamentar classificou a movimentação como resultado de um possível acordo entre grupos interessados em interromper sua atuação no Legislativo. A declaração foi feita durante a sessão destinada à escolha da direção da Câmara para o biênio 2027-2028, conforme reportagem publicada pelo jornalista Domingos Ketelbey. “Ontem, para a minha surpresa, o meu suplente foi empossado nessa Casa em tempo recorde. Nunca, nunca houve tanta pressa de cumprir parcialmente uma decisão judicial”, afirmou Aava.
A vereadora também questionou o processo de elaboração do acórdão do TRE-GO, diante dos indícios de utilização de inteligência artificial sem a supervisão exigida pelas normas do Judiciário. A suspeita motivou a liminar concedida pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves, que determinou a suspensão dos efeitos da decisão e solicitou esclarecimentos ao tribunal.
Aava fala em interesses contrários ao mandato
Ao abordar o episódio, Aava relacionou a tentativa de afastamento à atuação que exerce na Câmara. A parlamentar afirmou acreditar que sua presença no Legislativo contraria interesses de determinados grupos, embora não tenha identificado os responsáveis pelas supostas articulações. “Talvez, pelos avanços conseguidos para a cidade de Goiânia no uso das minhas atribuições enquanto vereadora, é que tenha ocorrido um consórcio de interesses obtusos para interditar esse mandato”, declarou.
A parlamentar também cobrou que a mesma rapidez demonstrada no cumprimento da decisão de afastamento seja adotada pela Câmara na análise das demandas apresentadas pela população. “Eu torço, senhor presidente, para que nos próximos dias, meses e anos, a mesma pressa que os interesses que operaram para me interditar avançaram nesse parlamento seja pressa aplicada para atender os clamores de nossa gente”, afirmou.
Durante a manifestação, Aava disse ter enfrentado pressões e tentativas de interferência em sua permanência no cargo. Ao retornar à tribuna, destacou a importância dos 10.482 votos que recebeu nas eleições municipais de 2024. “Apesar de tudo isso, o senhor não imagina o prazer que é estar de volta. O senhor não imagina”, disse a vereadora, antes de acrescentar: “Não adianta ligação, pressão, notinha, chilique, não adianta”. Aava também defendeu o respeito ao resultado das urnas. “Ninguém, ninguém tem poder de interromper aquilo que o povo decidiu na urna”, declarou.
Rose Cruvinel questiona mudança na composição da mesa
O retorno de Aava Santiago ao Legislativo também teve consequências na distribuição dos cargos da mesa diretora. A vereadora Rose Cruvinel afirmou que havia sido incluída na chapa para ocupar a segunda vice-presidência corregedora, mas foi substituída por Aava pouco antes do início da sessão.
Segundo Rose, seu nome ainda constava na composição quando deixou uma reunião na sala da presidência, minutos antes da votação. A alteração ocorreu após a reintegração de Aava ao mandato e provocou insatisfação pela ausência de comunicação antecipada. “Eu saí há dois minutos antes da sessão, da sala do presidente e do secretário, e meu nome estava digitado como fazendo parte da Mesa”, relatou Rose, conforme publicação de Domingos Ketelbey.
A vereadora afirmou compreender que a distribuição dos cargos envolve negociações entre os parlamentares, mas criticou a maneira como a mudança foi conduzida. “Quero dizer a todos os vereadores e àqueles que até no último momento mudam a regra do jogo: eu sou velhinha, eu sou mulher, mas não sou boba. Eu não sou boba”, declarou.
Em entrevista ao Jornal Opção, Rose explicou que sua principal reclamação estava relacionada à falta de diálogo sobre a substituição. Segundo ela, a alteração poderia ter ocorrido sem divergências caso tivesse sido informada previamente. “Eu fiquei um pouco chateada porque não conversaram comigo. Se falassem para mim: ‘Vamos tirar seu nome porque nós queremos privilegiar a nossa vereadora Aava, que é uma querida amiga’, eu deixava na hora. Eu fiquei chateada porque fizeram sem me falar”, afirmou.
Vereadora declara apoio a Aava e mantém voto na chapa
Apesar da insatisfação, Rose Cruvinel anunciou que não contestaria a substituição e manifestou solidariedade a Aava Santiago, em razão da disputa judicial pelo mandato. “Me deram explicações, me deram razões, eu não vou contestar aqui e não vou botar para quebrar esse negócio porque foi me tirado para colocar a vereadora Aava Santiago. Uma vereadora que está sendo injustiçada, uma mulher como eu que está na Justiça lutando para manter o seu mandato”, declarou.
A parlamentar também confirmou apoio à composição liderada por Thialu Guiotti, mesmo após perder o espaço que havia sido negociado na mesa diretora. “Em consideração a você, Aava, uma mulher forte como você, eu digo que vou votar de cabo a rabo na chapa”, afirmou. Além da mudança na direção da Câmara, Rose relatou divergências nas negociações para a distribuição das comissões permanentes. Segundo ela, houve uma tentativa de transferi-la da presidência da Comissão de Saúde para a Comissão do Idoso, proposta que não aceitou.
A vereadora, que é médica, explicou que pretende desenvolver projetos relacionados à prevenção de doenças e à assistência à população idosa. Após novas conversas, conseguiu permanecer à frente da Comissão de Saúde. “Então eu pedi a presidência da Comissão de Saúde, e eles tinham me colocado na vice-presidência, que não é nada. Eu queria ser a presidente. Eu consegui negociar e reverter”, afirmou ao Jornal Opção. Rose também confirmou que continuará integrando a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), responsável pela análise da constitucionalidade e da legalidade dos projetos apresentados à Câmara.
Retorno de Aava altera direção do Legislativo
A mudança na composição ocorreu poucas horas após a decisão do CNJ que suspendeu os efeitos do acórdão do TRE-GO. A medida permitiu o retorno de Aava Santiago à Câmara e sua participação na eleição da mesa diretora. O caso teve início com a decisão da Justiça Eleitoral que reconheceu a desfiliação da parlamentar do PSDB sem justa causa. O julgamento levou à determinação de perda do mandato e à convocação do suplente Michel Magul, empossado na sexta-feira.
Na noite do mesmo dia, o CNJ concedeu a liminar após receber questionamentos sobre a elaboração do acórdão, especialmente quanto ao uso de inteligência artificial. A suspensão não representa a anulação definitiva da decisão eleitoral, e a apuração sobre os procedimentos adotados pelo tribunal permanece em andamento. Com o retorno de Aava, a composição da chapa para o biênio 2027-2028 precisou ser revista. A parlamentar passou a ocupar a segunda vice-presidência corregedora, enquanto Rose Cruvinel manteve apoio à direção escolhida pelos vereadores.
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