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Logo, a disputa goiana agora se dá entre caiadismo e bolsonarismo
Coluna do Pablo Kossa: A nova polarização goiana está dada
11/10/2026, às 01:39 · Por Pablo Kossa
Caiadismo versus bolsonarismo. Essa é a disputa que deve protagonizar a política goiana pelos próximos anos. Já é o que vem acontecendo e é o que se projeta para o futuro.
Goiás sempre teve dois grupos antagonistas. PSD versus UDN. MDB versus Arena. Tempo Novo versus PMDB. Uma agremiação mais ao centro em disputa com outra mais à direita.
O perfil do eleitorado goiano jamais permitiu o crescimento de uma esquerda competitiva no estado. Aí se explica a dificuldade que o PT encontra no estado, mesmo em momentos de vitória em cidades de peso como Goiânia e Anápolis.
Com o declínio do PSDB que começou em 2018 e agora chega em seu mais baixo ponto, com Marconi Perillo tendo desempenho eleitoral pior que o próprio Partido dos Trabalhadores, uma nova polarização goiana está dada.
O pêndulo do Brasil tende à direita. Por óbvio, isso se reflete na estruturação dos grupos políticos goianos.
Ronaldo Caiado trouxe o MDB para dentro de seu arco de alianças. O bolsonarismo encontrou terreno fértil em Goiás. Não sobrou espaço para os tucanos.
Para definir alguém como de esquerda ou direita, lembre-se da Física que você estudou no Ensino Médio, depende do referencial. O bolsonarismo ocupa a baia da extrema direita. O caiadismo, aliado ao MDB e partidos como PSB ou Solidariedade, está mais ao centro. Insisto: essa percepção sempre depende do referencial.
Logo, a disputa goiana agora se dá entre caiadismo e bolsonarismo.
Isso aconteceu nas disputas municipais de 2024. Repetiu-se em 2026. E já tem seus nomes colocados para 2030.
Começo pelo Senado. Daniel Vilela foi reeleito e já é candidato à vaga única em disputa daqui quatro anos. Wilder Morais estará em fim de mandato. Novo embate entre ambos, agora com o bolsonarista defendendo seu próprio cargo como o emedebista fez em 2026, se avizinha.
Para o Palácio das Esmeraldas, o caiadismo tem dois nomes: Ronaldo e Gracinha. Se o ex-governador estiver com a saúde em cima, irá para a disputa em busca de seu terceiro mandato. Ele mira se igualar a Marconi sendo quatro vezes eleito ao Governo. Caso os 80 anos que terá manifestem seu peso, a senadora eleita estará em meio de mandato e pronta para defender o legado do esposo representando o caiadismo.
Gustavo Gayer também estará em meio de mandato no Senado, a posição mais confortável de todas para tentar voos maiores. Pode ser o nome do bolsonarismo nas urnas.
Aí você me dirá: “Ah, mas estavam todos estes juntos no palanque defendendo Flávio Bolsonaro”. Verdade. Devolvo com uma pergunta: quantas outras vezes você os viu trocando pancadas nos microfones e nas redes sociais? O que não faltam são impropérios proferidos por Gayer contra Caiado ou Daniel. E vice-versa.
A máxima de Magalhães Pinto sempre precisa ser lembrada nessas horas: a política é como nuvem, você olha está de um jeito e, quando novamente olha, está de outro. Verdade. A aliança entre caiadismo e bolsonarismo pode se firmar e criar uma força muito robusta. Um exemplo dessa possível aliança é a administração de Márcio Corrêa em Anápolis que consegue juntar os dois lados.
Pode ser, mas não acho provável. É muita gente e muitos interesses para caber em pouco espaço. Não há janelinha para tantos interessados no bonde.
Creio que o embate entre caiadismo e bolsonarismo será a disputa que protagonizará os próximos pleitos em Goiás.
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