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Goiânia, 10/10/26
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Levantamento registra redução de 1.383 hectares de vegetação suprimida entre janeiro e agosto; área atingida por queimadas também recuou 62,63% no Estado

Desmatamento em Goiás cai 18,9% nos oito primeiros meses de 2026, aponta MapBiomas

10/10/2026, às 04:30 · Por Redação

Goiás registrou queda de 18,9% na área de vegetação nativa atingida por alertas de desmatamento entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. De acordo com dados da plataforma MapBiomas Alerta, foram identificados 5.928 hectares de supressão vegetal nos oito primeiros meses deste ano, contra 7.311 hectares em 2025. A diferença corresponde a 1.383 hectares a menos no intervalo analisado.

Os números acompanham a redução registrada pelo Estado nos últimos anos. Segundo o Relatório Anual do Desmatamento (RAD 2025), divulgado pelo MapBiomas em maio, Goiás encerrou o ano passado com 10.983 hectares de vegetação suprimida, volume 44% inferior ao de 2024. Em relação a 2023, a diminuição acumulada alcançou 84,1%, conforme os dados da plataforma.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) relaciona os resultados à ampliação das ações de fiscalização, ao uso de tecnologias de monitoramento e à cooperação com representantes do setor produtivo. Entre as medidas adotadas estão o acompanhamento de imagens de satélite, a identificação de áreas com supressão de vegetação e o reforço das equipes responsáveis pelo controle ambiental.

A secretária estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Andréa Vulcanis, afirma que a estratégia combina fiscalização e participação de diferentes setores da economia na preservação do Cerrado.

"É claro que o comando e controle é importante. Prova disso é que fizemos concurso recentemente, reforçamos as equipes de fiscalização e investimos em tecnologia de monitoramento remoto. Mas o segredo está na construção de pontes com o setor produtivo, a partir da ideia de que só conseguiremos proteger o Cerrado se todos estiverem envolvidos com a causa", afirmou a secretária, em manifestação anterior sobre a política ambiental do Estado.

Em setembro de 2023, o Governo de Goiás também firmou um pacto com representantes do agronegócio e da indústria para eliminar o desmatamento ilegal até 2030. O compromisso integra as ações voltadas à conservação da vegetação nativa e à adequação das atividades econômicas às normas ambientais.

Outro indicador apresentado pelo MapBiomas diz respeito à cobertura das ações de fiscalização. Em 2025, a sobreposição entre áreas identificadas com desmatamento e aquelas alcançadas por medidas fiscalizatórias chegou a 65,2% em Goiás, percentual que colocou o Estado entre os que registraram maior cobertura desse tipo de atuação.

Os dados do MapBiomas incluem tanto a supressão irregular de vegetação quanto intervenções autorizadas pela legislação ambiental. Por isso, a área total identificada pela plataforma não representa, necessariamente, a extensão de desmatamento ilegal registrada no território goiano.

Área atingida por queimadas diminui 62,63% em Goiás
Além da redução do desmatamento, Goiás apresentou queda de 62,63% na extensão territorial atingida pelo fogo entre 1º de janeiro e 5 de outubro de 2026. No período, foram queimados 304.920 hectares, contra aproximadamente 816 mil hectares no mesmo intervalo de 2025. A diferença supera 511 mil hectares. As informações são da Plataforma Alarmes, desenvolvida pelo Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ), que acompanha a ocorrência de queimadas por meio de dados de satélite.

O percentual registrado em Goiás ficou abaixo da variação nacional em termos de área queimada. No Brasil, a redução foi de 9,67% no mesmo período. Em outros estados do Centro-Oeste, os levantamentos apontaram crescimento da extensão atingida pelo fogo: Mato Grosso registrou aumento de 27,40%, enquanto Mato Grosso do Sul apresentou elevação de 30,65%.

No Nordeste Goiano, a diminuição chegou a 70,59%, considerando um conjunto de 20 municípios. A área queimada passou de 370.076 hectares, em 2025, para 108.836 hectares neste ano, o que representa 261.240 hectares a menos. O levantamento regional abrange Alto Paraíso de Goiás, Alvorada do Norte, Buritinópolis, Campos Belos, Cavalcante, Colinas do Sul, Damianópolis, Divinópolis de Goiás, Flores de Goiás, Guarani de Goiás, Iaciara, Mambaí, Monte Alegre de Goiás, Nova Roma, Posse, São Domingos, São João d'Aliança, Simolândia, Sítio d'Abadia e Teresina de Goiás.

Fiscalização e brigadas comunitárias integram ações de prevenção
Segundo a Semad, parte das medidas de prevenção e combate aos incêndios foi desenvolvida em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO) e com brigadas comunitárias. As ações incluíram monitoramento de áreas de risco, preparação de equipes e atuação em unidades de conservação e regiões próximas. Entre os territórios considerados prioritários estão as áreas de proteção ambiental (APAs) de Pouso Alto e Serra Geral de Goiás, localizadas no Nordeste Goiano. A região concentra áreas de Cerrado e unidades de conservação que exigem acompanhamento durante os períodos de maior risco de incêndios.

Uma das iniciativas adotadas foi o Projeto Piloto PSA Brigadas, que estruturou equipes comunitárias em Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante, Colinas do Sul, Nova Roma, São Domingos e Teresina de Goiás. A proposta envolve a participação de moradores nas atividades de prevenção e resposta às ocorrências de fogo. Para a Semad, a atuação conjunta entre órgãos ambientais, Corpo de Bombeiros e comunidades integra a política estadual de proteção da vegetação nativa. Os dados de 2026 mostram redução tanto nos alertas de desmatamento quanto na área atingida por queimadas, embora os indicadores tenham metodologias e períodos de apuração diferentes.


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