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Goiânia, 10/10/26
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Imóvel no Setor Central foi alvo de fiscalização após relatório da Polícia Militar apontar riscos à segurança pública. Prefeitura cobra medidas para conter a degradação da estrutura

Prefeitura de Goiânia autua proprietário do “Redondo da Araguaia”, prédio abandonado há mais de 30 anos

09/10/2026, às 11:11 · Por Redação

O proprietário do prédio conhecido como “Redondo da Araguaia”, localizado na esquina da Avenida Araguaia com a Rua 2, no Setor Central de Goiânia, foi notificado e autuado pela Prefeitura. A medida foi adotada pela Secretaria Municipal de Eficiência (Sefic) após uma fiscalização constatar problemas relacionados à manutenção, à segurança, à higiene e à salubridade do imóvel, que está com as obras paralisadas desde o fim de 1995.

A ação ocorreu após o município receber um relatório da Polícia Militar de Goiás (PM-GO) apontando que a situação do prédio favorece a ocorrência de crimes na região. A Prefeitura agendou uma reunião com o responsável pela propriedade para esta sexta-feira (9), com o objetivo de cobrar providências para a regularização do espaço.

Segundo a PM, levantamentos de inteligência identificaram registros de tráfico de drogas, furtos a pedestres e estabelecimentos comerciais e lesões corporais nas imediações. O comando do 38º Batalhão da Polícia Militar também apontou riscos relacionados à utilização da estrutura como abrigo, tanto para as pessoas que ocupam o local quanto para a comunidade do entorno.

Durante as fiscalizações, a Guarda Civil Metropolitana abordou seis pessoas que utilizavam o prédio como abrigo. Equipes especializadas realizaram buscas por drogas e armas, mas não houve registro de apreensões ou irregularidades envolvendo os cidadãos abordados naquela ocasião. Profissionais do Serviço de Abordagem Social também prestaram atendimento socioassistencial e fizeram encaminhamentos à rede pública de serviços.

Comerciantes vizinhos relataram que a ocupação recorrente começou há cerca de dois meses, após a saída de um segurança particular que permanecia no imóvel. Eles afirmaram, porém, que não haviam identificado ações ilegais praticadas pelos ocupantes. Na tarde de quinta-feira (8), a reportagem constatou que o prédio voltara a ser ocupado e que os tapumes instalados ao redor estavam quebrados.

A situação do “Redondo da Araguaia” se soma a outras intervenções realizadas na região central após apontamentos de riscos à segurança pública. Em outubro de 2025, a Prefeitura demoliu uma construção na Rua 68 com a Avenida Independência, em frente à Praça do Trabalhador. Em abril de 2026, parte do Mercado Aberto, na Avenida Paranaíba, também foi demolida.

O projeto do prédio foi encomendado em 1991 pelo empresário Ely Pascoal à arquiteta Tânia F., com a proposta de abrigar a sede do laboratório de análises clínicas Nobel e consultórios da área da saúde. O formato cilíndrico da construção teria surgido de um esboço inspirado no desenho de um parafuso. Um trabalho acadêmico apresentado à Universidade Federal de Goiás (UFG), em 2017, também apontou semelhanças com o edifício da gravadora Capitol Records, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

De acordo com a pesquisa acadêmica, o imóvel foi transferido, em 2012, para um fundo de investimento ligado à empresa Guardiã Imóveis, que informou ter enfrentado limitações financeiras a partir de 2016 para dar continuidade às obras. Agora, a Prefeitura cobra do responsável a manutenção necessária para conter a degradação física da estrutura e buscar a regularização do espaço.


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