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Goiânia, 10/10/26
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Governador Daniel Vilela conquistou a maioria dos votos em 238 dos 246 municípios goianos; desempenho foi superior na região metropolitana de Goiânia e apresentou diferenças nas cidades ligadas ao agronegócio

Daniel Vilela vence nos principais colégios eleitorais de todas as regiões de Goiás

09/10/2026, às 10:14 · Por Redação

A reeleição do governador Daniel Vilela (MDB), no primeiro turno das eleições de 2026, foi acompanhada por vitórias nos principais colégios eleitorais de todas as regiões de Goiás. Com 59,17% dos votos válidos no Estado, o emedebista terminou à frente dos adversários em 238 dos 246 municípios, incluindo as cidades com maior concentração de eleitores. O resultado, porém, apresentou diferenças entre as regiões, especialmente nos municípios do sul e sudoeste goiano, onde a oposição alcançou percentuais mais elevados.

Levantamento divulgado pelo jornal O Popular mostra que Daniel ultrapassou 50% dos votos válidos nos 40 maiores municípios analisados, distribuídos entre os principais blocos regionais. Na região metropolitana de Goiânia, o governador superou sua média estadual em nove das dez cidades mais populosas. Já nos municípios que integram a chamada rota do agronegócio, a votação ficou abaixo dos 59,17% registrados no conjunto do Estado, embora tenha sido suficiente para garantir a vitória.

As diferenças regionais refletem, segundo cientistas políticos ouvidos pelo jornal, fatores relacionados à avaliação da administração estadual, à identificação dos eleitores com grupos políticos e aos efeitos de decisões adotadas durante o governo de Ronaldo Caiado. Entre os pontos mencionados pelos especialistas está a cobrança da contribuição conhecida como taxa do agro, em vigor entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025.

Rota do agronegócio
Nas cidades do sul e sudoeste de Goiás, Daniel Vilela venceu a disputa, mas encontrou maior concorrência do senador Wilder Morais (PL). O candidato do PL registrou percentuais superiores à sua média estadual em praticamente todos os principais municípios da região, com exceção de Catalão. Os resultados mais expressivos de Wilder ocorreram em Jataí, onde recebeu 36,05% dos votos válidos; Rio Verde, com 34,5%; e Mineiros, com 29,65%. Os números indicam uma concentração maior de votos no candidato do PL em municípios cuja economia possui participação do agronegócio.

Para o professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) Guilherme Carvalho, a cobrança da taxa do agro e a identificação de parte do eleitorado regional com o bolsonarismo ajudam a explicar a diferença entre o desempenho de Daniel nesses municípios e sua votação no restante do Estado. "A situação da rota do agro pode ser explicada principalmente pelo desgaste que foi a taxa do agro. Isso está cobrando o preço nesse momento. Outro elemento é justamente a predisposição dessas regiões em alinhar o voto a um bolsonarista raiz e o Wilder representava essa alternativa ao grupo do ex-governador Ronaldo Caiado", afirmou ao O Popular.

O pesquisador avalia que o resultado também pode ser interpretado como uma manifestação de insatisfação de parte do eleitorado com a política tributária adotada anteriormente pelo Estado. "É uma espécie de voto de protesto e um recado que a rota do agro consegue passar para o governo de Daniel Vilela sobre eventuais novas cobranças, para que o governo não compre essa briga com o agronegócio mais uma vez", acrescentou.

O professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) Pedro Pietrafesa também relaciona os números à presença do eleitorado bolsonarista no sudoeste goiano. Apesar disso, ressalta que Daniel manteve a maioria absoluta dos votos válidos nas cidades analisadas. "Daniel ficou acima de 50% em todas as cidades e isso mostra que ele também teve força ali. É uma região em que o bolsonarismo é mais forte, elegendo alguns prefeitos nas eleições de 2024. Então, era onde o desempenho do bolsonarismo poderia ser um pouco melhor do que de fato acabou acontecendo", analisou.

Região metropolitana
Na região metropolitana de Goiânia, o governador registrou percentuais superiores à média estadual na maior parte dos municípios. Para os especialistas, o resultado está associado à avaliação da gestão de Ronaldo Caiado e à proposta de continuidade administrativa apresentada por Daniel durante a campanha.

Pedro Pietrafesa considera que investimentos realizados na região e a percepção dos eleitores sobre serviços públicos, especialmente na segurança, contribuíram para o desempenho do emedebista nos municípios próximos à capital. "A boa votação na região de Goiânia vem de forte distribuição de recursos e obras que foram entregues. O desempenho também passa pela avaliação positiva do governo de um modo geral, mas também em áreas específicas, principalmente a segurança pública", explicou.

A votação na região metropolitana teve peso na composição do resultado estadual, devido à concentração de eleitores. Mesmo em áreas onde havia espaço para o crescimento de candidaturas adversárias, Daniel conseguiu manter percentuais que contribuíram para a definição da disputa ainda no primeiro turno.

Entorno do Distrito Federal
Nos municípios do Entorno do Distrito Federal, Daniel Vilela também conquistou a maioria dos votos. A região, entretanto, apresentou particularidades na distribuição das preferências entre os demais candidatos, sobretudo no desempenho do ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno (PT) e do ex-governador Marconi Perillo (PSDB). O candidato petista alcançou 17,48% dos votos válidos em Valparaíso de Goiás, 16,6% em Cidade Ocidental e 15,14% em Planaltina. Os percentuais ficaram acima de sua média estadual e demonstraram maior participação do eleitorado da região na votação destinada ao PT.

Marconi, por outro lado, recebeu 3,7% dos votos em Águas Lindas de Goiás, 3,6% em Cristalina e 4,6% em Valparaíso. Os números ficaram abaixo de seu resultado estadual e indicam dificuldades da candidatura tucana para recuperar espaço político nesses municípios. Para Pedro Pietrafesa, o desempenho de Luis Cesar Bueno se aproximou da meta estabelecida pelo PT para a eleição ao governo de Goiás. O professor também destacou a diferença entre os resultados do candidato petista e do ex-governador.

"O Luis Cesar chegou próximo da meta que foi estabelecida pela campanha nacional do PT de ter 10% dos votos em Goiás. Então, foi uma votação importante para o candidato, mas para o PT de um modo geral, se estabelecendo como terceira força no estado. Para o Marconi, foi um desastre total", afirmou.

Guilherme Carvalho atribui parte das dificuldades de Marconi à ausência de uma estrutura partidária mais consolidada no Entorno, além da influência política do governo federal nos municípios próximos a Brasília. "A falta de estrutura de campanha atrapalhou o ex-governador Marconi, sem bases e palanques no entorno, além da influência do governo federal na região. Esses dois fatores beneficiaram o Luis César na mesma medida em que prejudicaram Marconi Perillo", avaliou.


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