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Mudança no Regimento Interno permite afastamento temporário para assumir como suplente na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados. Proposta de Henrique Alves foi aprovada em definitivo, apesar de questionamentos jurídicos
Câmara de Goiânia aprova licença para vereador assumir mandato de deputado sem perder a vaga
08/10/2026, às 16:10 · Por Redação
A Câmara Municipal de Goiânia aprovou em definitivo, nesta quarta-feira (7), projeto de resolução que permite aos vereadores se licenciarem temporariamente do mandato para assumir vagas de deputado estadual ou federal na condição de suplentes, sem perder a cadeira no Legislativo municipal. A proposta, de autoria do primeiro-secretário da Casa, Henrique Alves (MDB), foi aprovada sem votos contrários e deverá ser promulgada pela Mesa Diretora nos próximos dias.
Pela regra atual, o vereador que é convocado para assumir uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) ou na Câmara dos Deputados precisa renunciar ao mandato municipal. Com a mudança, o parlamentar poderá se afastar durante o período em que exercer a suplência e retornar automaticamente à Câmara de Goiânia após o encerramento da convocação, mediante comunicação à Mesa Diretora.
O texto estabelece que a licença deverá ser formalizada por requerimento, com indicação do período estimado de afastamento. Durante esse intervalo, o suplente do vereador será convocado para ocupar temporariamente a cadeira na Câmara Municipal. A proposta também proíbe o recebimento simultâneo de remunerações dos dois cargos e prevê que o parlamentar licenciado não terá direito às prerrogativas do mandato municipal enquanto estiver exercendo a função em outro Legislativo.
A mudança ocorre após as eleições de outubro, nas quais 18 dos 37 vereadores de Goiânia disputaram cargos de deputado estadual, deputado federal ou senador. Sete conseguiram se eleger: Fabrício Rosa e Kátia Maria, ambos do PT; Coronel Urzêda (PL); Romário Policarpo (PRD); Wellington Bessa e Lucas Kitão (Mobiliza), para a Assembleia Legislativa; e Major Vitor Hugo (PL), para a Câmara dos Deputados.
Segundo Henrique Alves, a alteração busca permitir que vereadores convocados como suplentes possam exercer temporariamente outro mandato sem abrir mão definitivamente da cadeira para a qual foram eleitos em Goiânia. O parlamentar afirmou à TV Câmara que a medida considera entendimentos da Justiça Eleitoral sobre situações semelhantes.
Questionamentos jurídicos
A proposta, no entanto, enfrentou questionamentos dentro da própria Câmara. A Procuradoria da Casa emitiu parecer contrário ao projeto e recomendou seu arquivamento, sob o argumento de que a mudança deveria ocorrer por meio de alteração da Lei Orgânica do Município, e não apenas do Regimento Interno. O parecer também apontou possível inconstitucionalidade relacionada ao exercício de mandatos eletivos em diferentes esferas.
O procurador-geral da Câmara à época, Kowalsky do Carmo Costa Ribeiro, afirmou que a proposta poderia configurar acúmulo de mandatos e contrariar a Constituição Federal. Apesar das ressalvas, os vereadores favoráveis defenderam que a medida garante segurança aos parlamentares e amplia a possibilidade de representação política em outros níveis do Legislativo.
O vice-presidente da Câmara, Anselmo Pereira (MDB), afirmou que a alteração permite ao vereador assumir outra função pública temporária sem perder o mandato conquistado nas urnas. Com a aprovação definitiva, a resolução segue para promulgação pela Mesa Diretora.
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