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Maykon Cardoso
Dos 41 deputados estaduais eleitos em Goiás, 36 são homens e 27 se declararam brancos à Justiça Eleitoral; cinco mulheres ocuparão cadeiras na próxima legislatura
Nova composição da Alego terá maioria de homens e brancos a partir de 2027
07/10/2026, às 09:34 · Por Redação
A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) terá, a partir de 2027, uma composição formada em sua maioria por homens, brancos e candidatos com ensino superior completo. Dos 41 deputados estaduais eleitos, 36 são homens e cinco são mulheres. Em relação à raça, 27 se declararam brancos, 13 pardos e um preto. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foram publicados pelo jornal O Popular.
O perfil racial informado pelos candidatos à Justiça Eleitoral mostra que Romário Policarpo (Cidadania), atual presidente da Câmara Municipal de Goiânia, será o único deputado estadual preto na próxima legislatura. Segundo o levantamento, nenhum candidato que se declarou preto foi eleito por Goiás para a Câmara dos Deputados ou para o Senado. Com isso, Policarpo será o único parlamentar com essa autodeclaração racial entre os representantes escolhidos pelo Estado para as três casas legislativas.
Na divisão por gênero, os homens ocuparão 36 das 41 cadeiras da Alego entre 2027 e 2030, o equivalente a quase 88% da composição. As mulheres ficarão com cinco vagas, cerca de 12% do total. O número representa aumento em relação às quatro deputadas estaduais eleitas em 2022 e às duas escolhidas em 2018. Apesar do avanço nas últimas duas eleições, a presença feminina permanece abaixo do patamar registrado no início dos anos 2000. Em 2002, oito mulheres conquistaram mandatos na Assembleia Legislativa. Quatro anos depois, em 2006, foram sete.
Das cinco deputadas escolhidas neste ano, apenas Bia de Lima (PT) conquistou a reeleição. Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), ela atribui parte do crescimento de sua votação à atuação junto aos servidores públicos e à ampliação das pautas de seu mandato para áreas como meio ambiente, direitos dos idosos e das mulheres e agricultura familiar. A petista passou de cerca de 24 mil votos em 2022 para 42 mil em 2026.
As outras quatro parlamentares chegarão à Alego para o primeiro mandato estadual: Carol do Amiltinho (MDB), Graciele da Arte Trigo (Agir), Joscilene do Mangão (Agir) e Kátia Maria (PT). Carol entrou na disputa após a morte do marido, o deputado estadual Amilton Filho (MDB), vítima de um acidente rodoviário cerca de duas semanas antes da eleição. Ela recebeu 109 mil votos e alcançou a maior votação da disputa para deputado estadual em Goiás.
“É um grande desafio para ela (Carol). (...) Mas geralmente a tendência das mulheres, quando pegam desafios assim, é de superar e de suplantar os desafios. Eu acredito que ela fará isso também”, afirmou Bia de Lima. Kátia Maria exerce mandato de vereadora em Goiânia e já presidiu o PT em Goiás. Graciele da Arte Trigo é empresária. Joscilene do Mangão é professora e esposa do prefeito de Novo Gama, Carlinhos do Mangão (PL).
Idade dos eleitos
A faixa dos 45 aos 49 anos concentra o maior número de deputados estaduais eleitos, com 11 representantes. Nos extremos da composição estão Neto Karfan (Novo), de 32 anos, e Paulo do Vale (MDB), que completou 67 anos nesta terça-feira (6). Karfan começou a trajetória política aos 22 anos, quando foi eleito vereador de Itumbiara, município onde também presidiu a Câmara. Antes de ingressar no Novo, participou de eleições pelo Solidariedade e pelo antigo PR. Ele já havia disputado uma vaga na Alego em 2018, sem se eleger.
Na eleição deste ano, o deputado eleito destacou a estratégia adotada pelo Novo para a formação da chapa e sua votação em Itumbiara, onde recebeu quase 12 mil votos. O município permanece como sua principal base eleitoral. Na outra ponta está Paulo do Vale, ex-prefeito de Rio Verde e deputado estadual eleito aos 67 anos. A família também terá representação no Congresso Nacional: seu filho, Lucas do Vale, que atualmente exerce mandato na Alego, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Perfil difere do eleitorado
A composição por gênero da Assembleia contrasta com a distribuição do eleitorado goiano. Goiás possui cerca de 5 milhões de pessoas aptas a votar em 2026. Desse total, 53% são mulheres e 47% são homens, conforme os dados da Justiça Eleitoral. A comparação por raça exige uma ressalva devido à ausência dessa informação no cadastro de parte dos eleitores. Segundo os dados citados por O Popular, 78% não informaram raça ou cor à Justiça Eleitoral. Entre os registros disponíveis, 12,7% do eleitorado se declarou pardo; 6,44%, branco; 2,09%, preto; 0,23%, amarelo; e 0,03%, indígena.
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