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Goiânia, 20/09/26
Matérias
Reprodução

Mostra reúne trabalhos de diferentes períodos da carreira do artista e propõe um percurso por técnicas, materiais e referências presentes em sua produção

Goiânia recebe exposição com 60 obras de Vik Muniz

19/09/2026, às 10:40 · Por Redação

Goiânia recebe uma exposição com 60 obras de Vik Muniz, artista brasileiro conhecido pelo uso de materiais do cotidiano na construção de imagens que depois são registradas por meio da fotografia. A mostra apresenta ao público trabalhos de diferentes momentos de sua trajetória e amplia a programação de artes visuais na capital. O conjunto selecionado permite acompanhar parte das experiências desenvolvidas por Muniz ao longo da carreira. Suas obras exploram a relação entre imagem, matéria e percepção, com composições produzidas a partir de elementos que fogem dos suportes tradicionais das artes visuais.

Açúcar, chocolate, lixo, alimentos e outros materiais já foram utilizados pelo artista para recriar retratos, paisagens e referências da história da arte e da cultura popular. Depois de montadas, essas composições são fotografadas, e a imagem resultante passa a constituir a obra apresentada ao público. A exposição em Goiânia reúne 60 trabalhos e permite observar essa relação entre o material empregado na composição e a imagem percebida pelo espectador. A proposta também apresenta diferentes etapas da produção do artista, que construiu sua trajetória entre o Brasil e os Estados Unidos.

Nascido em São Paulo, em 1961, Vik Muniz iniciou a carreira artística em Nova York na década de 1980. Ao longo dos anos, passou a desenvolver séries que utilizam materiais como açúcar, diamantes, sucata, terra, chocolate, brinquedos e objetos descartados para formar imagens reconhecíveis. O trabalho de Muniz também ganhou projeção por meio do documentário Lixo Extraordinário, que acompanhou um projeto realizado com catadores do antigo aterro sanitário de Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro.

A produção foi indicada ao Oscar de melhor documentário e ajudou a ampliar o alcance internacional do trabalho desenvolvido pelo artista. Em 2026, Muniz também apresentou no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro, a retrospectiva A Olho Nu. A exposição reuniu trabalhos tridimensionais do início de sua trajetória, séries fotográficas produzidas ao longo da carreira e obras recentes, em um recorte de mais de três décadas de produção.

Outro trabalho apresentado neste ano foi a série ligada ao incêndio do Museu Nacional, ocorrido em 2018. Muniz utilizou cinzas retiradas do local para recriar peças perdidas ou atingidas pelo fogo, entre elas referências ao fóssil de Luzia. Parte desse conjunto integrou a exposição Rescaldo das Memórias, no Rio de Janeiro.

A passagem da exposição por Goiânia oferece ao público um recorte dessa trajetória e aproxima a capital goiana da produção de um artista brasileiro com obras apresentadas em instituições no Brasil e no exterior. As 60 peças selecionadas também permitem observar como materiais encontrados no cotidiano são utilizados por Muniz para alterar a percepção de imagens já conhecidas.


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