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Goiânia, 15/09/26
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Décimo disco da banda goiana reúne oito faixas inéditas e usa a água como metáfora para tratar de transformação, vida e destruição

Violins lança ‘Aguacêro’ nos 25 anos de carreira

15/09/2026, às 09:03 · Por Redação

O Violins chega aos 25 anos de carreira com um novo capítulo de sua produção musical. A banda goiana lançou “Aguacêro”, décimo álbum de sua trajetória e primeiro trabalho formado por músicas inéditas desde “A Era do Vacilo”, de 2018. Com oito faixas, o disco já está disponível nas plataformas de streaming e adota a água como elemento que conecta as composições. Formado atualmente por Beto Cupertino (voz e guitarra), Fred Valle (bateria), Pedro Saddi (teclado) e Thiago Ricco (baixo), o grupo surgiu em Goiânia em 2001 e acompanhou um período de expansão da cena independente da capital. 

Desde os primeiros anos, passou por festivais e recebeu reconhecimento dentro do circuito nacional, entre eles o prêmio de melhor disco brasileiro no Indie Destaque. Parte dessa projeção ocorreu com trabalhos como “Grandes Infiéis”, lançado em 2005 e incluído em listas da imprensa especializada, e “Tribunal Surdo”, de 2007, escolhido pela Rolling Stone entre os 25 discos brasileiros daquele ano. Mesmo com a circulação por outros Estados, as referências ao lugar de origem continuaram presentes na produção da banda.

“As letras fazem constante referência ao sol, à poeira, à secura, à falta da chuva, o calor”, afirma Beto Cupertino ao jornal o Popular. Para o vocalista e compositor, há uma relação entre essas imagens e o Cerrado, além de uma “caipirice inerente” que o grupo passou a reconhecer como parte de sua identidade. “Quando a gente sai para tocar fora de Goiás, sente muito isso. E aceitar isso como algo bom é saudável”.

Em “Aguacêro”, a água ocupa o centro das referências. Segundo Cupertino, o conceito não surgiu de uma decisão prévia e só foi percebido quando parte das músicas já estava pronta. “Ela nasceu tão espontânea e naturalmente que eu só a percebi depois que já tinha nascido.” O músico considera que a escrita de um livro ambientado em uma enchente também possa ter influenciado o processo de composição.

A partir dessa percepção, as oito faixas ganharam uma ligação conceitual. “A água tem essa dinâmica que é própria dela enquanto elemento, de ser qualquer forma que se queira, além de ter essa dialética da vida e da destruição que ela pode projetar”, explica Cupertino. O elemento funciona no disco como representação das mudanças e contradições que atravessam a experiência humana.

O álbum também marca o retorno do Violins a um formato que a banda considera central para sua produção. Em 2024 e 2025, o grupo lançou singles que depois deram origem ao EP “Quase Metade”. A experiência não afastou a preferência por trabalhos com uma unidade entre as músicas. “Ainda acho que o álbum é o que dá significado para um artista”, diz o vocalista.

A construção de “Aguacêro” teve participação dos quatro integrantes desde a definição dos caminhos do trabalho até os arranjos. Algumas composições passaram por mudanças quando determinadas partes agradavam ao grupo e outras não. Depois de dez álbuns, Cupertino avalia que a experiência tornou os músicos mais criteriosos na escolha de melodias, arranjos e outros elementos das faixas.

As mudanças acumuladas ao longo de duas décadas e meia também aparecem na forma como o vocalista observa a trajetória do grupo. “Eu acho que a passagem do tempo incide sobre tudo. Eu não sou a mesma pessoa de 20 anos atrás, acredito que ninguém da banda é.” Apesar das transformações, ele identifica uma característica presente desde o início: “A paixão por essa sensação acho que nunca mudou”.

25 anos de estrada
Manter uma banda independente por 25 anos também exigiu adaptação às mudanças na indústria musical. Para Cupertino, um dos obstáculos atuais é fazer com que os lançamentos cheguem aos ouvintes em um ambiente dominado pelas plataformas digitais. “É difícil manter um público interessado depois de tanto tempo, fazer com que as novidades cheguem às pessoas no rebuliço dos algoritmos”, afirma.

O período recente acrescentou outros obstáculos. A pandemia, as mudanças nas políticas para a cultura e a transformação do mercado provocada pelo streaming atingiram artistas e demais profissionais do setor. Na avaliação de Cupertino, “toda a cadeia da música e da arte em geral sofreu de 2018 até recentemente”.

Para o músico, a continuidade do Violins também depende da relação construída entre os integrantes, mesmo quando existem diferenças sobre os rumos das composições. “Essa arte da convivência, da generosidade um com o outro, de ouvir um ao outro, de querer que o outro esteja curtindo também o que estamos fazendo juntos, isso é o que tem mais significado pra mim”, diz.

A passagem do tempo também mudou a maneira como Cupertino avalia a própria produção. O compositor admite que faria alterações em letras de trabalhos anteriores e diz não gostar da forma como canta nos dois primeiros discos. Ainda assim, rejeita a ideia de apagar essas etapas. “Melhor acreditar que tudo teve o seu papel em quem a gente é hoje e acreditar que hoje é melhor”.

Depois do lançamento de “Aguacêro”, o Violins pretende apresentar o novo trabalho em cidades que fizeram parte de sua trajetória e onde mantém público. A banda também planeja uma edição do disco em vinil e versões comemorativas de álbuns anteriores, em parceria com a Monstro Discos.

Em meio às mudanças provocadas pela tecnologia e ao avanço da inteligência artificial sobre os processos de criação, Cupertino vê na experiência coletiva uma das razões para continuar produzindo música. “Até aqui a música está lutando com as armas que tem pra continuar uma ilha de humanidade”.


Banda Violins Goiás,