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Oito postulantes já renunciaram à disputa; falta de recursos e vantagem de quem já ocupa mandato estão entre os motivos apontados no cenário eleitoral
Desistências de candidatos reduzem chapas para deputado federal em Goiás
10/09/2026, às 10:28 · Por Redação
Oito candidatos a deputado federal por Goiás já registraram desistência da disputa eleitoral deste ano na Justiça Eleitoral. O número pode aumentar nos próximos dias, diante das dificuldades enfrentadas por algumas chapas para financiar campanhas e competir com parlamentares que buscam a reeleição.
Entre os principais motivos apontados estão a falta ou demora no repasse de recursos dos fundos eleitorais, além da dificuldade de candidatos sem mandato disputarem espaço com deputados que contam com estrutura política e acesso às emendas impositivas.
A eleição para a Câmara dos Deputados é estratégica para os partidos, já que o tamanho das bancadas influencia a distribuição dos fundos eleitoral e partidário e do tempo de propaganda no rádio e na televisão. A redução do número de candidatos também pode prejudicar algumas siglas na formação do quociente eleitoral necessário para conquistar uma cadeira.
As desistências atingiram partidos de diferentes tamanhos, entre eles MDB, PSD, PP, PSDB e PSB. Em alguns casos, as legendas optaram por substituir os candidatos para preservar a competitividade das chapas.
Recursos são alvo de reclamações
Entre os candidatos que deixaram a disputa está o ex-vereador de Goiânia Felisberto Tavares (PP), que renunciou em 21 de agosto. Ele criticou o modelo atual de financiamento e afirmou que a concentração de recursos entre candidatos com mandato dificulta a competição.
Outra desistência recente foi a da empresária Flávia Teles (PSDB), viúva do ex-prefeito de Goiânia e ex-governador Maguito Vilela. A equipe da candidata apontou questões de saúde como justificativa, enquanto, nos bastidores, também havia relatos de insatisfação com a demora na liberação de recursos do fundo eleitoral e problemas pessoais e familiares.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávia havia declarado R$ 300 mil em recursos próprios para a campanha e, até então, não havia registrado repasses do partido.
O PSDB informou que não pretende substituir a candidata e afirmou compreender os motivos apresentados para a renúncia. A legenda possui dois deputados federais em busca da reeleição, Professor Alcides e Jeferson Rodrigues, que receberam R$ 1,05 milhão cada um em recursos partidários no início de setembro.
PSB também perde candidato
No PSB, o ex-deputado estadual Cláudio Meirelles renunciou na semana passada. Ele afirmou que recebeu menos recursos do que havia sido combinado com a direção estadual do partido.
Segundo Meirelles, a previsão era de R$ 2 milhões para a campanha, mas foram disponibilizados R$ 600 mil. O ex-deputado afirmou que, diante do atraso nos repasses e do período curto de campanha, não seria possível manter a candidatura.
A presidente estadual do PSB e candidata a deputada federal Aava Santiago contestou que a saída tenha relação com recursos. Segundo ela, Meirelles enfrentava dificuldades para recuperar as bases eleitorais construídas durante o período em que exerceu mandato de deputado estadual.
O partido substituiu o candidato por Carmem Lúcia, vereadora de Niquelândia. Aava afirmou que a mudança não prejudicou a estratégia da chapa.
Outros partidos enfrentam incertezas
No PSD, partido do ex-governador e candidato à Presidência Ronaldo Caiado, o ex-presidente da Goinfra Pedro Sales renunciou em agosto, alegando questões pessoais. Nos bastidores, porém, surgiram relatos de incertezas sobre os recursos destinados à campanha e de disputa por bases eleitorais.
O partido tem atualmente dois deputados federais — Daniel Agrobom e Ismael Alexandrino — e aposta também no deputado estadual Lucas do Vale como nome competitivo na disputa.
Também há sinais de possíveis novas desistências em partidos como PRD e Republicanos, onde candidatos enfrentam dificuldades para realizar atos de campanha e fazem reclamações internas sobre a distribuição de recursos.
Menos candidatos em 2026
A dificuldade de competir com candidatos que já possuem mandato contribuiu para uma redução significativa no número de postulantes à Câmara dos Deputados em Goiás.
Neste ano, 252 candidatos disputam uma das 17 cadeiras destinadas ao Estado. Em 2022, foram 391 candidaturas registradas, uma redução de aproximadamente 35%.
Além da dificuldade financeira, a formação de federações partidárias também contribuiu para a diminuição do número de chapas e candidaturas.
Dos atuais 17 deputados federais goianos, 15 tentam a reeleição. As exceções são Gustavo Gayer (PL) e Zacharias Calil (MDB), que disputam uma vaga no Senado.
Além de Felisberto Tavares, Flávia Teles, Cláudio Meirelles e Pedro Sales, também renunciaram às candidaturas Neides Alves (DC), Nicolina Tia Nicola (MDB), Mônica de Paula (Missão) e Cabo Lorrane (PRD).
O movimento reduz ainda mais o número de candidatos que buscam espaço na Câmara e aumenta a pressão sobre os partidos para manter chapas competitivas até o fim do período eleitoral.
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