Matérias
Divulgação
Kowalsky Ribeiro aponta ausência de lista de imóveis, valores e destinações e afirma que proposta pode permitir transformação ampla do patrimônio municipal em ativos de mercado
Procurador da Câmara de Goiânia defende devolução de projeto do fundo imobiliário
10/09/2026, às 09:59 · Por Redação
O procurador-geral da Câmara Municipal de Goiânia, Kowalsky Ribeiro, deve recomendar a rejeição e a devolução à Prefeitura do projeto de lei enviado pelo prefeito Sandro Mabel (UB) que prevê a criação de fundos de investimento imobiliário com patrimônio do município. A principal preocupação da Procuradoria é a ausência de um anexo com a relação dos imóveis que poderiam ser incluídos na operação, além de informações sobre valores e destinação dos bens.
Segundo Kowalsky, sem essas informações, o Legislativo não consegue avaliar previamente quais imóveis poderão ser alcançados pela proposta, quanto valem atualmente, qual é sua utilização e quais impactos a eventual transferência para fundos imobiliários poderia provocar.
“O projeto autoriza, na prática, a transformação indiscriminada do patrimônio imobiliário municipal em ativos de mercado, sem que a Câmara saiba previamente quais bens serão alcançados, quanto valem, qual sua destinação atual ou potencial e qual o impacto urbanístico e social”, afirmou o procurador-geral.
Outro ponto levantado pela Procuradoria é o que Kowalsky considera falta de uma finalidade social claramente definida para os imóveis públicos. Na avaliação dele, o patrimônio municipal deve estar vinculado às políticas públicas e ao planejamento urbano, e não ser tratado apenas como fonte de exploração imobiliária.
“A gestão municipal deve administrar seus bens como instrumentos das políticas públicas e do planejamento urbano, não como estoque empresarial destinado à exploração imobiliária indiscriminada”, disse.
Resistência na Câmara
A falta de uma relação detalhada dos imóveis também está entre as principais críticas apresentadas por vereadores ao projeto. Parlamentares questionam a tramitação da proposta, especialmente por considerarem que a Câmara deveria conhecer previamente os bens que poderiam ser utilizados na estruturação dos fundos.
A resistência ocorre enquanto Mabel prepara uma reunião com sua base aliada no Legislativo para apresentar esclarecimentos sobre a proposta e tentar reduzir as dúvidas em torno do projeto.
Com a recomendação da Procuradoria, a tendência é que a matéria enfrente novos questionamentos antes de avançar na tramitação. A discussão deverá envolver tanto os aspectos jurídicos da proposta quanto os critérios para utilização e eventual exploração do patrimônio imobiliário do município.
Prefeitura de Goiânia Fundo Imobiliário Câmara Municipal Kowalsky Ribeiro



