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Goiânia, 20/08/26
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Julio Cesar Gondim Melo recebeu pena de 1 ano, 8 meses e 29 dias; Justiça também fixou indenização de R$ 30 mil e determinou distância mínima de 200 metros das vítimas

Médico é condenado por injúria racial contra vizinhos em Goiânia

20/08/2026, às 10:03 · Por Redação

O médico cardiologista Julio Cesar Gondim Melo foi condenado pela Justiça por injúria racial contra dois vizinhos após chamar um deles de “macaco”, no Jardim América, em Goiânia. A sentença também reconheceu os crimes de injúria religiosa contra uma moradora, além de ameaça e desacato contra um policial militar. O julgamento ocorreu na segunda-feira (17).

Os fatos que deram origem ao processo ocorreram em julho de 2025. Na ocasião, Julio Cesar foi preso e posteriormente deixou a prisão após pagar fiança de R$ 20 mil. Imagens divulgadas pela TV Anhanguera registraram parte das ofensas feitas durante o episódio.

De acordo com a sentença, mesmo após a chegada da Polícia Militar, o médico continuou a dirigir ofensas aos moradores. “Enquanto os policiais atendiam Jorcelio e Neusair, por ali chegou o denunciado e mesmo com a presença dos policiais, ele voltou a ofendê-los com palavras ‘macaco’, ‘ladrão’, ‘gigolô’, ‘macumbeira’, ‘safada’”, registra trecho do documento.

A pena total estabelecida pelo juiz Liciomar Fernandes da Silva foi de 1 ano, 8 meses e 29 dias de prisão, em regime inicial aberto. A Justiça concedeu a suspensão da execução da pena sob a condição, entre outras medidas, de prestação de serviços à comunidade durante o primeiro ano.

O processo aponta que Jorcelio Araújo Borges de Almeida, servente de obras, é vizinho do médico há cerca de 14 anos. Segundo os autos e as imagens divulgadas pela emissora, ele já havia sido alvo de ofensas antes do episódio que resultou na prisão de Julio Cesar.

No dia dos fatos, o médico teria seguido Jorcelio pela rua enquanto o trabalhador empurrava um carrinho de mão. Durante o percurso, proferiu expressões como “macaco” e “preto safado”, além de afirmar que “todo preto é bandido”, conforme os registros apresentados no processo.

Ainda segundo os autos, Julio Cesar colocou a mão sob a camisa em um gesto que simulava o porte de uma arma e ameaçou o vizinho de morte. Ele teria dito que “daria um jeito neles” e que “acabaria com eles”.

Durante o processo, a defesa alegou insanidade mental. A Justiça determinou a continuidade do acompanhamento médico e psiquiátrico do cardiologista. Além da pena criminal, a sentença fixou indenização por danos morais no valor total de R$ 30 mil e proibiu o médico de se aproximar dos vizinhos, com distância mínima de 200 metros.

Em nota encaminhada à TV Anhanguera, a defesa informou que respeita a decisão judicial, mas discorda de pontos da sentença e apresentará recurso.