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Goiânia, 24/08/26
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Relatório mostra que país deixou a lista das 20 nações com maior número de crianças zero-dose e registrou um dos maiores avanços mundiais na recuperação da cobertura vacinal infantil

Brasil reduz em quase 90% o número de crianças sem vacinação, apontam OMS e Unicef

05/08/2026, às 11:52 · Por Redação

O Brasil reduziu de 360 mil para cerca de 50 mil o número de crianças que não receberam a primeira dose da vacina pentavalente entre 2023 e 2025, segundo relatório divulgado nesta terça-feira (14) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O resultado retirou o país da lista das 20 nações com maior número de crianças classificadas como zero-dose e colocou o Brasil entre os destaques mundiais na recuperação da cobertura vacinal infantil.

As Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional (WUENIC) mostram que o contingente de crianças sem a primeira dose da vacina contendo o componente DTP — representado no Brasil pela pentavalente, que protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções pelo Haemophilus influenzae tipo b (Hib) — caiu de 360 mil em 2023 para 255 mil em 2024 e chegou a aproximadamente 50 mil em 2025. A redução corresponde a cerca de 90% no período de dois anos.

Segundo o levantamento, o avanço ocorreu paralelamente ao crescimento da cobertura vacinal e ao aperfeiçoamento dos sistemas de registro das imunizações no país, o que tornou os dados mais completos e consistentes. O relatório destaca que a combinação desses fatores contribuiu para a melhora dos indicadores brasileiros.

Entre as ações apontadas como responsáveis pela recuperação da vacinação estão a intensificação das campanhas nacionais, a retomada dos dias de mobilização, a busca ativa de crianças com esquemas vacinais incompletos, a ampliação da vacinação nas escolas, o fortalecimento da rede de salas de vacina e a modernização dos sistemas de informação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), além do monitoramento contínuo das coberturas em estados e municípios.

O desempenho brasileiro ocorre em um cenário internacional de recuperação gradual da vacinação infantil após a pandemia de Covid-19. Conforme a OMS e o Unicef, aproximadamente 116 milhões de crianças, o equivalente a 90% dos nascidos em 2025, receberam ao menos uma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche. Já 110 milhões completaram o esquema de três doses, percentual ainda inferior ao registrado antes da pandemia.

O relatório estima que 13,5 milhões de crianças em todo o mundo permaneceram sem receber a primeira dose da vacina contendo DTP em 2025. Outras 7,3 milhões iniciaram o calendário vacinal, mas não concluíram o esquema recomendado. Como consequência, 57 países registraram surtos de sarampo ao longo do último ano.

Entre os 195 países avaliados, apenas 30 conseguiram ampliar a cobertura vacinal desde 2019, enquanto 65 permaneceram estagnados ou apresentaram queda nos índices. O Brasil figura entre os 17 países que registraram aumento superior a cinco pontos percentuais na cobertura da primeira dose da vacina contendo DTP entre 2019 e 2025. Segundo o levantamento, o país apresentou crescimento de 19 pontos percentuais no período, resultado inferior apenas ao registrado pela Líbia.

Nas Américas, o Brasil também apresentou redução no número de crianças zero-dose. Enquanto México, Venezuela, Argentina e Bolívia concentram atualmente os maiores contingentes nessa condição, o Brasil reduziu esse grupo para cerca de 50 mil crianças, consolidando a recuperação da cobertura vacinal infantil.

As estimativas da OMS e do Unicef são elaboradas anualmente com base nas informações enviadas pelos países e constituem a principal referência internacional para o acompanhamento da vacinação. As organizações destacam que o fortalecimento dos programas nacionais de imunização e a ampliação do acesso às vacinas permanecem fundamentais para prevenir surtos de doenças evitáveis e ampliar a proteção da população infantil.


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