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Goiânia, 24/08/26
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Cerca de 10 mil litros do combustível atingiram o manancial após tombamento de carreta na GO-403; Saneago retomou a captação de água no Rio dos Dourados, em Professor Jamil

Especialistas apontam danos permanentes após derramamento de biodiesel no Rio Meia Ponte

04/08/2026, às 09:50 · Por Redação

O derramamento de aproximadamente 10 mil litros de biodiesel no Rio Meia Ponte, após o tombamento de uma carreta na GO-403, entre Goiânia e Senador Canedo, provocará impactos ambientais que não poderão ser totalmente revertidos, segundo especialistas e autoridades ambientais. Embora ações de contenção e remoção do produto tenham sido iniciadas logo após o acidente, técnicos afirmam ao jornal O Popular que a recuperação integral do ecossistema é inviável.

A carreta transportava 56 mil litros de biodiesel quando tombou na madrugada de sábado (1º). Parte da carga foi contida ainda na rodovia, mas cerca de 10 mil litros chegaram ao leito do Rio Meia Ponte. A empresa responsável pelo transporte contratou uma companhia especializada em emergências ambientais para executar as medidas de contenção, sob acompanhamento dos órgãos públicos.

O delegado da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), Luziano de Carvalho, informou que barreiras foram instaladas para impedir o avanço da substância pelo curso d'água e que equipes realizaram a retirada manual de parte do combustível. Segundo ele, apesar da resposta adotada, acidentes dessa natureza deixam consequências permanentes ao meio ambiente.

O engenheiro sanitarista e ambiental Áquila Levindo explicou que, apesar de o biodiesel ser biodegradável e produzido a partir de matéria-prima vegetal, o contato com o ambiente aquático provoca redução do oxigênio dissolvido na água. Esse processo pode resultar na morte de peixes e comprometer a cadeia alimentar do ecossistema. Conforme o especialista, o monitoramento dos níveis de oxigênio passa a ser uma das principais medidas para acompanhar a recuperação do manancial.

Levindo também orienta que a população evite contato com o trecho atingido até que a situação seja normalizada. Segundo ele, embora o biodiesel seja menos tóxico do que o diesel mineral, a exposição pode provocar irritações na pele e favorecer contaminações secundárias. O especialista ressaltou, contudo, que o abastecimento de Goiânia não foi afetado porque o acidente ocorreu abaixo do ponto de captação utilizado pela Saneago.

A concessionária informou que acompanha as ações de contenção desenvolvidas pela empresa responsável e reforçou que não houve impacto no sistema de abastecimento da Região Metropolitana de Goiânia. A seguradora da transportadora permanece responsável pelos trabalhos de retirada do combustível e recuperação da área.

Além da atuação da Dema, equipes da Secretaria Municipal de Eficiência (Sefic) notificaram a transportadora Primavera Diesel Ltda. para executar medidas de contenção e aplicaram multa de R$ 2 milhões. A empresa também poderá responder nas esferas administrativa e criminal pelos danos ambientais. A Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) informou que acompanha os trabalhos e elabora um relatório técnico para dimensionar a extensão dos impactos causados pelo acidente.

O tombamento ocorreu em uma curva da GO-403 e provocou a interdição parcial da rodovia por mais de dois dias, devido ao risco provocado pelo combustível espalhado sobre a pista. A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do acidente.

O episódio ocorreu poucos dias após outro acidente ambiental registrado em Goiás, quando um caminhão transportando produtos químicos contaminou o Córrego Pernambuco, afluente do Rio dos Dourados, em Professor Jamil. Segundo Luziano de Carvalho, a recuperação daquele curso d'água também continua em andamento e ainda não há prazo para conclusão da descontaminação.

Na noite desta segunda-feira (3), a Saneago retomou a captação de água no Rio dos Dourados para abastecimento de Professor Jamil. A concessionária informou que análises laboratoriais apontaram que a água captada atende aos parâmetros exigidos para tratamento e consumo. Durante o período de suspensão, o município foi abastecido por caminhões-pipa.

Mesmo com a melhora gradual da qualidade da água, o delegado da Dema destacou que os trabalhos de recuperação continuam. Segundo ele, processos de remediação em rios e solos contaminados exigem alto custo, demandam longo período de execução e dificilmente conseguem restabelecer completamente as condições ambientais existentes antes do acidente.


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