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Goiânia, 25/08/26
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Das 334 notificações de morte encefálica registradas no período, somente 55 se converteram em doações reais

Afinal, por que a maioria das famílias goianas recusa a doação de órgãos?

03/08/2026, às 19:31 · Por Redação

A preservação da integridade do corpo após a morte e o receio de mutilações associado a crenças e fatores religiosos representam hoje a principal barreira para a efetivação da doação de órgãos em Goiás. A constatação faz parte de um levantamento publicado pelo jornal O Popular nesta segunda-feira, 3 de agosto de 2026, que expõe o gargalo enfrentado pelo sistema de saúde local: no primeiro semestre deste ano, a taxa de efetivação de transplantes no estado alcançou apenas 16,47%. Das 334 notificações de morte encefálica registradas no período, somente 55 se converteram em doações reais.

O impacto da recusa familiar reflete diretamente na oscilação dos índices mensais. Em junho de 2026, Goiás registrou o menor percentual do semestre, com apenas 9,68% de aproveitamento, um contraste com os 32,08% alcançados em maio. Historicamente, o cenário mantém-se desafiador: a maior taxa da última década foi anotada em 2020, quando 22,76% das notificações resultaram em doação, enquanto o piso ocorreu em 2016, com 14,08%.

Mitos sobre a aparência do corpo e demora no processo

Segundo dados da Gerência de Transplantes da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), o tabu sobre a alteração na estética do falecido é um dos pontos centrais nas abordagens. Muitos parentes temem que o procedimento impeça a realização de cerimônias fúnebres tradicionais, como o velório com caixão aberto, o que é garantido pelas equipes médicas mesmo após a captação dos órgãos.

Outro fator determinante para o não das famílias é o tempo exigido para a conclusão de todo o protocolo. O processo completo de doação requer, em média, pelo menos 24 horas. Esse período é destinado à realização de exames nos receptores, checagem de compatibilidade, oferta dos órgãos para pacientes em listas de espera locais ou nacionais e organização da logística do transporte.

Estratégias de acolhimento e investimento no atendimento

Para tentar reverter o alto índice de negativas, a estratégia central do governo estadual tem sido o investimento no treinamento das equipes médicas e de enfermagem. A intenção é preparar os profissionais para que o acolhimento aos parentes ocorra de maneira humanizada desde o primeiro diagnóstico de morte encefálica, espelhando-se em modelos bem-sucedidos adotados em estados como Santa Catarina e Paraná.

O Plano Estadual de Transplantes 2026-2029 prevê a intensificação do trabalho preparatório nas unidades hospitalares com maior volume de notificações, a exemplo do Hospital Estadual de Urgências de Goiás (Hugo), do Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol) e do Hospital Estadual de Anápolis (Heana). No Hugo, por exemplo, a coordenação de doação conta com profissionais exclusivos dedicados ao suporte psicológico e social das famílias no momento da decisão.

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