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Reprodução/Jornal Noroeste
Equipes de limpeza urbana trabalham na desobstrução de vias públicas após ventos fortes e granizo quebrarem galhos e derrubarem espécimes inteiras
Chegada do El Niño potencializam tempestade com granizo e estragos em Goiânia
15/06/2026, às 11:03 · Por Redação
A forte tempestade que atingiu Goiânia na noite do último domingo (14) trouxe à tona os reflexos práticos das anomalias climáticas globais em solo goiano. Especialistas em meteorologia apontam que a intensidade do temporal, que veio acompanhado de granizo e relâmpagos em pleno mês de junho — período historicamente marcado pela estiagem e seca no Cerrado —, está diretamente associada ao processo de consolidação do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico. O aquecimento anômalo das águas oceânicas altera a circulação dos ventos e injeta calor e umidade adicionais na atmosfera, servindo como combustível para potencializar eventos de tempo severo e chuvas torrenciais na Região Central do Brasil.
O balanço operacional dos estragos confirmou a queda de pelo menos 23 árvores em diferentes pontos da cidade, além do acionamento de múltiplos alertas emitidos pela Defesa Civil devido aos riscos iminentes de enchentes. Diante do cenário de forte instabilidade, o prefeito Sandro Mabel utilizou suas redes sociais oficiais para fazer um apelo direto aos moradores. O chefe do Executivo municipal orientou os cidadãos a recolherem-se e permanecerem em suas casas para evitar acidentes urbanos, pedindo para que todos passassem o restante do domingo abrigados para que pudessem iniciar a segunda-feira com segurança.
De acordo com os dados técnicos consolidados pelo Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas (Cimehgo) da Semad, o volume de chuva apresentou uma distribuição geográfica muito desigual pela capital. O maior acumulado foi anotado no Jardim Guanabara, na Região Norte, que registrou expressivos 64 milímetros. Na sequência, os setores mais afetados foram o Setor Sul, com 50,4 mm, e o bairro Vera Cruz, na Região Oeste, com 44,6 mm. Índices significativos também castigaram o Leste Universitário (44,6 mm), as proximidades da ETA Mauro Borges (40,8 mm) e o Centro (40,4 mm). Em contrapartida, os menores volumes ficaram concentrados no Morro da Serrinha (14,6 mm) e no complexo do Jardim Curitiba (21 mm).
Outro fator atípico evidenciado pelos medidores do Cimehgo foi a resiliência do sistema meteorológico, cuja precipitação teve uma duração média prolongada de 22 horas e 35 minutos. Essa persistência das nuvens carregadas reforça as análises climáticas de que o El Niño tende a bagunçar as médias históricas regionais, transformando o inverno do Centro-Oeste em um período vulnerável a choques térmicos e tempestades que antes eram restritas à primavera e ao verão.
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