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Aquisição por empresa dos EUA pode redirecionar produção hoje ligada à China e altera dinâmica do mercado internacional
Venda da Serra Verde reposiciona Goiás na cadeia global de terras raras
21/04/2026, às 08:30 · Por Redação
A compra integral do grupo Serra Verde pela empresa USA Rare Earth, anunciada nesta segunda-feira (20/4), por cerca de US$ 2,8 bilhões, tende a alterar a dinâmica global das terras raras produzidas em Goiás. A operação envolve a mina e a planta de processamento Pela Ema, em Minaçu, considerada a única fora da Ásia com capacidade de produzir, em escala comercial, os quatro principais elementos magnéticos: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.
O negócio ainda depende de aprovações regulatórias e tem conclusão prevista para o terceiro trimestre de 2026. Segundo a compradora, a aquisição inclui US$ 300 milhões em dinheiro e US$ 126,8 milhões em ações, com base no valor de mercado da companhia. A mudança pode redirecionar a produção, hoje majoritariamente comprometida com a China, para uma cadeia sob influência dos Estados Unidos. As terras raras são insumos utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, semicondutores, equipamentos médicos e sistemas de defesa.
Apesar disso, o governo de Goiás afirma que não há alteração imediata na operação local. O secretário de Indústria e Comércio, Joel Sant’Anna Braga Filho, disse que a mudança ocorre no nível dos investidores. “A SVPM continua como empresa brasileira. Tínhamos dois investidores dos Estados Unidos e um do Reino Unido. O que hoje houve foi a compra no nível deles, ou seja, não muda nada para a SVPM”, afirmou ao jornal Opção.
Ele também avaliou que a nova estrutura pode favorecer o estado. “É bom para Goiás porque garante a compra de toda a terra rara que ia para a China; agora eles vão fazer a mineração e a segunda etapa nos Estados Unidos, mas vai acabar privilegiando Goiás porque vai ter também investimento aqui”, disse.
Antes da venda, a Serra Verde já dependia da capacidade chinesa para processamento. O CEO da empresa, Thras Moraitis, afirmou anteriormente que a China era “o único cliente” capaz de realizar a separação de parte dos minerais, com contratos que se estendiam até 2027.
A mina entrou em operação em 2024, após mais de US$ 1,1 bilhão em investimentos e mais de 15 anos de desenvolvimento. A empresa informa que emprega mais de 350 pessoas. A expectativa da nova controladora é alcançar produção anual de cerca de 6,4 mil toneladas de óxidos de terras raras até o fim de 2027, com projeção de receita operacional entre US$ 550 milhões e US$ 650 milhões. Há estudos para expansão da capacidade antes de 2030.
O principal ponto em aberto é o nível de processamento no Brasil. O comunicado da empresa destaca a integração internacional da cadeia produtiva, mas não detalha expansão das etapas industriais em território nacional. A tendência, segundo o mercado, é que Goiás mantenha foco na extração e no processamento inicial, enquanto fases mais avançadas ocorram no exterior.
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