P U B L I C I D A D E
Poder Goiás
Goiânia, 09/04/26
Matérias
Divulgação

Investigação aponta cobrança de até R$ 5 mil para manipular filas de cirurgias e exames na rede pública

Servidor ligado a Professor Alcides é preso em operação contra venda de vagas no SUS em Goiás

08/04/2026, às 09:27 · Por Redação

A Polícia Civil de Goiás deflagrou nesta terça-feira (7/4) a Operação Mercância Torpe para desarticular um esquema de venda de vagas no Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os presos está Conrado Victor Portugal da Silva, que é servidor da Secretaria de Saúde de Aparecida de Goiânia. Segundo a investigação conduzida pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor), o grupo cobrava valores de até R$ 5 mil para inserir pacientes em filas de cirurgias, exames e consultas ou alterar a prioridade no atendimento por meio dos sistemas SERVIR e SISREG.

Conrado é apontado como aliado político do deputado federal Professor Alcides, do ex-prefeito Vilmar Mariano e do deputado federal Jefferson Rodrigues, todos ligados ao grupo político de Marconi Perillo. De acordo com a polícia, o servidor ingressou na prefeitura por concurso em 2008 como agente de endemias e, entre 2022 e 2024, durante a gestão de Vilmar Mariano, atuou na Central de Regulação de Vagas, setor onde teriam ocorrido as fraudes.

Em 2024, ele foi candidato a vereador pelo Republicanos e atuou como apoiador político de Professor Alcides na disputa pela Prefeitura de Aparecida. A operação é um desdobramento da “Operação Hipócrates”, realizada em 2023. As apurações indicam a participação de agentes públicos de Goiânia e de outros municípios, como Catalão, Senador Canedo e Goianira, na comercialização de serviços que deveriam ser gratuitos.

Em nota, a Polícia Civil afirmou: “Evidenciou-se que havia verdadeira mercancia de vagas no sistema de saúde. As condutas sobrecarregavam o sistema, pois priorizavam quem pagava, enquanto os demais eram obrigados a aguardar indefinidamente”. Ao todo, foram cumpridos 52 mandados judiciais, incluindo seis prisões temporárias, 17 mandados de busca e apreensão, cinco afastamentos de funções públicas e 24 quebras de sigilo bancário e fiscal.

A Secretaria Municipal de Saúde de Aparecida de Goiânia informou que Conrado é servidor concursado e atuou na Central de Regulação na gestão anterior. A pasta afirmou ainda que, na atual administração, ele não exercia funções na área de regulação, declarou que colabora com as investigações e anunciou a abertura de Processo Administrativo Disciplinar, que pode resultar em demissão.