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O fechamento do prazo de filiações revelou uma reestruturação das bancadas na Câmara Municipal de Goiânia
Metade dos vereadores candidatos de Goiânia troca de partido para concorrer em outubro
06/04/2026, às 14:04 · Por Redação
A movimentação política em Goiânia atingiu um ponto crítico com o fechamento da janela partidária, revelando que quase metade dos vereadores que planejam disputar as eleições de 2026 trocou de legenda. De um grupo de 19 parlamentares que pretendem buscar cadeiras na Assembleia Legislativa (Alego), na Câmara Federal ou no Senado, nove realizaram a migração, o que representa 47,4% desse bloco. O movimento ocorre em um cenário jurídico complexo, já que a legislação restringe a troca de sigla sem perda de mandato apenas a cargos em fim de exercício, exigindo que os vereadores recorram a cartas de anuência ou justificativas de desfiliação consensual para evitar sanções judiciais.
O cenário partidário na capital foi redesenhado por essas trocas, com destaque para o Mobiliza, que se tornou o principal destino ao atrair nomes como Lucas Kitão, Cabo Senna e Wellington Bessa após uma debandada no Democracia Cristã (DC). Em contrapartida, o MDB, maior bancada da Casa, sofreu baixas significativas com as saídas de Igor Franco para o Podemos e Sargento Novandir para o Democrata. Outras siglas, como o Novo e o PSB, também registraram adesões de parlamentares que buscam viabilidade eleitoral para seus projetos estaduais e federais, alterando o equilíbrio de forças dentro do Legislativo municipal.
A trajetória do presidente da Câmara, Romário Policarpo, exemplifica a volatilidade desse período. Após deixar o PRD e flertar com o Avante, Policarpo oficializou sua filiação ao Cidadania no último dia do prazo. A decisão marca uma mudança de rota estratégica: sem espaço na base governista para sua pré-candidatura a deputado estadual, o parlamentar agora se integra à federação PSDB-Cidadania, sinalizando um apoio à pré-candidatura de Marconi Perillo ao governo estadual. Essa movimentação coloca um dos principais atores políticos da capital em oposição direta ao Palácio das Esmeraldas.
Apesar do encerramento oficial do prazo de filiações, o clima nos bastidores permanece de cautela e vigilância jurídica. Os partidos têm até o dia 14 de abril para processar os dados no sistema da Justiça Eleitoral, e especialistas alertam que movimentações de última hora podem ser alvo de contestações judiciais. O caso da vereadora Aava Santiago, que já enfrenta uma ação por infidelidade partidária movida pelo PSDB após sua ida para o PSB, serve de alerta para os demais parlamentares sobre os riscos de uma migração sem o devido respaldo legal ou o consenso das antigas legendas.
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