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A sacola plástica que mudou o mundo: físico goiano identificou a radiação mortal antes que fosse tarde demais
O homem que parou o apocalipse azul em Goiânia: Conheça o herói esquecido do Césio-137
30/03/2026, às 10:39 · Por Redação
O físico Walter Mendes Ferreira, mineiro de nascimento e radicado na área de segurança nuclear, foi o protagonista técnico que interrompeu a cadeia de contaminação do Césio-137 em Goiânia, em setembro de 1987. Aos 29 anos, munido de um detector de radiações, ele foi chamado para analisar uma substância envolta em uma sacola plástica na Vigilância Sanitária, levada por Maria Gabriela. Ao identificar que o brilho azulado era, na verdade, uma fonte radioativa de altíssima periculosidade, Walter agiu com rapidez, orientando a evacuação imediata do local e notificando a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), o que deu início à mobilização internacional para conter o desastre.
A trajetória de Walter, que hoje tem 73 anos e chefia a Divisão de Emergências Radiológicas da Cnen, serviu de inspiração direta para o personagem interpretado por Johnny Massaro na minissérie “Emergência Radioativa”. Com uma formação sólida que inclui pós-graduação em proteção radiológica pela Universidade de Buenos Aires e mestrado pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), o físico transformou a experiência traumática em Goiás em uma missão de vida. Ele relata que o acidente impôs uma mudança brusca em sua rotina, exigindo que ele assumisse a linha de frente no atendimento às vítimas que, na época, estavam desorientadas e severamente doletas pela exposição.
Para o especialista, as lições extraídas da tragédia goiana foram incorporadas por organismos globais e resultaram na criação de protocolos rigorosos de radioproteção e descontaminação de áreas. Walter destaca que o desastre forçou o fortalecimento do poder regulatório e a melhoria na comunicação com o público e a mídia sobre tecnologias nucleares. Esse legado técnico e científico é fundamental para que o erro cometido em 1987 — quando o aparelho de radioterapia foi retirado das ruínas de um instituto abandonado — não se repita, garantindo que a ciência nuclear seja aplicada de forma segura e controlada.
Atualmente, além de suas funções regulatórias, o físico dedica-se a desmistificar a percepção da tecnologia nuclear por meio do Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste (CRCN-CO), onde ministra palestras e cursos que alcançam cerca de 2,5 mil alunos anualmente. Walter enfatiza a importância de manter a memória do acidente viva, não apenas como uma homenagem às vítimas e aos mais de 100 mil monitorados no Estádio Olímpico, mas como um mecanismo de prevenção. Sua atuação permanece como o elo entre a resposta emergencial do passado e a educação voltada para a segurança radiológica do futuro.
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