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Clarice Castro
Jornalista goiana Ivana Leal é a primeira mulher negra a comandar o órgão e anuncia foco no combate ao feminicídio
Ivana Leal assume presidência do Conselho Nacional de Direitos Humanos
21/03/2026, às 10:24 · Por Redação
A jornalista goiana Ivana Leal tomou posse como presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) na última quinta-feira (12/3), em Brasília. Ela se torna a primeira mulher negra a assumir o comando do órgão em 62 anos de funcionamento.
Ivana iniciou a atuação em pautas sociais no Movimento Negro Unificado (MNU), em Goiás, na década de 1980. “O Movimento Negro Unificado foi fundado em 1978. É uma entidade nacional, a mais importante entidade nacional da época contemporânea, que nasceu pela ditadura militar em São Paulo, como uma manifestação contra o racismo, em busca da cidadania da população negra”, afirmou ao portal Diário de Goiás.
Ela também destacou a trajetória dentro do movimento social. “Comecei minha militância em Goiás, no Movimento Negro Unificado, e também faço parte do Movimento de Mulheres Negras. No Movimento Negro Unificado, nessa articulação, compreendendo a importância do controle social, nós fomos eleitas, para o Conselho Nacional de Direitos Humano”, disse.
Ao comentar a posse, Ivana ressaltou o significado da chegada ao cargo. “A gente entra [na presidência do CNDH] como a primeira mulher negra de movimento social da sociedade civil, no Conselho, que tem 62 anos. Isso é algo muito representativo, porque nós sabemos que o espaço para mulheres negras na sociedade como a nossa, extremamente racista, é significativo e fundamental para a gente romper essa barreira imposta pelo racismo e que privilegia em postos, em ocupação de postos públicos, ou qualquer espaço da sociedade, a branquitude”, afirmou.
Servidora do Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás e integrante da Coalizão Negra por Direitos, Ivana foi indicada pelo MNU, entidade eleita para o colegiado. O mandato na presidência será exercido ao longo de 2026.
Durante a posse, ela afirmou que pretende conduzir o conselho com base em sua trajetória. “Mas como uma mulher negra que traz em sua trajetória, a memória e a resistência dos seus ancestrais para essa presidência. Minha presença na presidência do Conselho Nacional de Direitos Humanos é um ato político”, declarou.
Entre as prioridades, Ivana destacou o enfrentamento ao feminicídio. “Não há justiça sem a garantia da vida das mulheres”, disse, ao citar como principais vítimas “mulheres negras, indígenas e rurais, as mesmas que estão na linha de frente, defendendo o território”.
A presidente também afirmou que o conselho deve ampliar a atuação em pautas ligadas à população LGBTQIA+, povos indígenas, comunidades de matriz africana e pessoas em situação de rua. Outro ponto citado foi a defesa de um sistema nacional de direitos humanos, com autonomia administrativa e orçamentária para o CNDH. “Vamos transformar o silêncio em direito e a invisibilidade em soberania”, afirmou durante a cerimônia.
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