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Goiânia, 08/03/26
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Alta do petróleo, risco em rotas logísticas e encarecimento de fertilizantes podem impactar agroindústria e frete, segundo entidades do setor

Conflito no Oriente Médio pode elevar custos de produção e afetar preços em Goiás

07/03/2026, às 08:06 · Por Redação

O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã pode gerar efeitos econômicos em Goiás, sobretudo no agronegócio e em cadeias ligadas à produção e ao transporte. A intensidade do impacto dependerá da duração e da dimensão do conflito, que ocorre em uma região estratégica para o comércio internacional.

O Irã figura entre os principais parceiros comerciais do estado. Em 2025, foi o terceiro destino das exportações goianas, com cerca de 2,9% das vendas externas e crescimento de 96% em relação ao ano anterior. Produtos como milho e soja estão entre os itens exportados para o país. Ao mesmo tempo, o agronegócio goiano importa fertilizantes iranianos usados na produção agrícola.

A instabilidade no Oriente Médio também envolve o Estreito de Ormuz, rota marítima responsável por grande parte do escoamento do petróleo mundial. Em momentos de tensão, o governo iraniano costuma ameaçar bloquear o canal. A interrupção do fluxo marítimo pode afetar cadeias logísticas e energéticas em diferentes países.

Outro fator de preocupação é a elevação do preço do petróleo. O barril, que encerrou fevereiro cotado a US$ 72,48, registrou aumento de cerca de 24% e ultrapassou os US$ 90 nesta sexta-feira (6). O encarecimento do combustível tende a elevar custos de transporte e frete, com reflexos sobre o preço final de produtos.

Entre os principais riscos apontados pelo setor produtivo estão a alta do custo de fertilizantes, o aumento do diesel e do frete e oscilações cambiais. Esses fatores podem afetar a base de custos da produção agrícola e industrial.

A Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial) monitora impactos sobre fertilizantes e proteína animal. O presidente-executivo da entidade, Edwal Portilho, conhecido como Tchequinho, afirma que o cenário exige atenção. “Qualquer instabilidade ali tende a impactar custos logísticos, energia e insumos agrícolas”, afirmou ao jornal O Popular.

Ele lembra que o Irã é comprador relevante de milho brasileiro e fornecedor de fertilizantes como a ureia. Em 2025, o país exportou cerca de 184 mil toneladas desse insumo ao Brasil. Segundo Tchequinho, os Emirados Árabes Unidos também mantêm relações comerciais com o agronegócio brasileiro, sobretudo na compra de proteína animal. “Eles são um dos principais destinos das exportações de proteína animal do Brasil e chegaram a liderar as compras de carne de frango em alguns períodos”, disse.

Para o dirigente da Adial, conflitos na região podem pressionar custos ligados à energia, fertilizantes e transporte marítimo. “O setor produtivo observa com atenção o efeito sistêmico no mercado global de insumos e logística. Em um mundo interconectado, tensões geopolíticas acabam chegando ao campo, à indústria e ao consumidor”, afirmou.


Conflito Fertilizantes Goiás,