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Goiânia, 04/03/26
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Venda ocorre em grupos de WhatsApp, Facebook e Telegram; cursos da área da saúde lideram fraudes

Cibercriminosos oferecem diplomas falsos em nome de universidades de Goiás por até R$ 1,9 mil

03/03/2026, às 09:33 · Por Redação

Cibercriminosos utilizam grupos em plataformas como WhatsApp, Facebook e Telegram para vender diplomas falsos de graduação, pós-graduação e mestrado em nome de instituições de ensino, inclusive universidades goianas. Os valores chegam a R$ 1,9 mil, conforme o curso e o grau acadêmico. As graduações da área da saúde concentram a maior parte das ofertas. Durante duas semanas, o portal Mais Goiás teve acesso a grupos com mais de 3 mil integrantes voltados à falsificação de documentos acadêmicos. 

Ao se apresentar como interessado nos cursos de Enfermagem e Direito, a reportagem do Mais Goiás negociou com falsificadores de três Estados. “Para fazer a documentação, você precisa me passar os dados necessários. Faço toda a documentação, como histórico, ata e certificado. Te mostra ela pronta, o registro sendo feito no seu nome, as vias originais prontas para serem enviadas para o seu endereço. Depois disso, você faz o pagamento e eu envio tudo”, afirmou um dos criminosos em áudio enviado ao portal.

Os falsificadores garantem que os diplomas teriam validação do Ministério da Educação (MEC) e publicação no Diário Oficial. O prazo prometido para concluir o processo é de cerca de três dias, já com entrega. Não há exigência de provas ou comparecimento à instituição, apenas o pagamento.

“Não corre não [risco], amigão. Pode ficar tranquilo, tá? A gente tá nessa área aí já tem quase cinco anos. A documentação é toda original, toda registrada. É show de bola, cara. Tudo registrado, documentado. Apaguei aí porque é documentação de outro cliente, tem os dados pessoais”, disse outro falsificador, ao enviar supostos exemplos de diplomas.

Em uma das negociações, o criminoso disponibilizou mais de 12 diplomas em PDF em cursos como Enfermagem, Gestão Hospitalar, Fisioterapia, Engenharia Civil, Educação Física e Tecnologia em Gestão de Turismo. Os documentos indicavam conclusão entre 2022 e 2023.

Entre as instituições citadas nos diplomas apresentados estão a Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e a Universidade Paulista (UNIP), além de outras faculdades. Em um dos casos, constava que a suposta aluna teria concluído Tecnologia em Gestão Comercial em 5 de dezembro de 2023.

“Nossos diplomas, certificados e registros profissionais são totalmente seguros e autenticados, adequados para apresentação em qualquer situação, como pós-graduação, oportunidades de emprego. Embora o processo de aquisição seja descomplicado, o documento é devidamente registrado e autenticado pelo MEC, validado em território nacional e internacional. O diploma conta com histórico acadêmico, certificado de detalhes de estágio acadêmico”, afirmou um dos vendedores.

Em nota, a PUC Goiás informou que adota os mecanismos de segurança definidos pelo MEC. A UNIP declarou que segue as normas do ministério e que os documentos são avaliados e checados.

Segundo o advogado criminalista Tadeu Bastos, presidente da Comissão de Segurança Pública e Política Criminal da OAB-GO, a venda de diplomas falsos configura falsificação de documento público, mesmo quando envolve instituição privada. A pena pode chegar a seis anos de prisão.

Caso o documento seja utilizado, o responsável também responde por uso de documento falso, com a mesma previsão de pena. “Uma pessoa que não é apta para exercer determinada função, no caso de um advogado, está sujeita a anular todo o processo. Caso haja um processo em que ele ganhou, tudo será anulado e começado do zero. Há casos de estagiários e até falsos advogados que pegam processos. A OAB fiscaliza essa prática e, como penas, pode ser que haja a suspensão ou o banimento, além do processo criminal”, afirmou.