Poder Goiás


Goiânia, 04/03/26
Matérias
Divulgação

Órgão da Câmara Municipal ampliou atendimentos em 2025, com foco em apoio psicológico e articulação da rede de proteção

Ouvidoria da Mulher registra alta de 38% nas denúncias de violência em Goiânia

03/03/2026, às 09:15 · Por Redação

A Ouvidoria da Mulher da Câmara Municipal de Goiânia registrou aumento de 38% nas denúncias de violência em 2025, em comparação com o ano anterior. O número de atendimentos individuais também cresceu, com 255 registros a mais do que em 2024. Os dados indicam maior procura pelo serviço e expansão da rede de acolhimento.

Estruturada a partir do mandato da vereadora Aava Santiago (PSB), que atua como ouvidora especial, a iniciativa reúne escuta especializada, apoio psicológico, orientação jurídica e encaminhamento à rede de proteção. O atendimento ocorre por meio de convênios com a Universidade Salgado de Oliveira (Universo) e com a FacUnicamps.

“Os números mostram que as mulheres estão reconhecendo na Ouvidoria um espaço seguro e eficiente para acessar os mecanismos necessários ao rompimento da violência. Quando elas nos procuram, nosso papel não é apenas formalizar a denúncia, mas garantir acompanhamento contínuo, articulando a rede de proteção para que essa mulher siga assistida até superar completamente a situação de violência”, afirma Aava.

Em 2024, a Ouvidoria registrou 175 denúncias. Em 2025, o total chegou a 453. O plantão psicológico passou de 121 para 312 atendimentos. Os encaminhamentos para psicoterapia individual subiram de 7 para 120. O programa Acolha uma Mulher ampliou o número de psicólogas voluntárias de 28 para 54. Ao longo de 2025, foram realizadas 32 ações de prevenção e acolhimento.

Houve redução nos pedidos de assistência social, que passaram de 424 em 2024 para 75 em 2025. Segundo a coordenação, a reorganização priorizou a saúde mental como estratégia para interromper o ciclo de violência.

Coordenadora da Ouvidoria, Maria Clara Dunck diz que o impacto aparece nos relatos das atendidas. “Testemunhamos histórias de transformação muito profundas. Mulheres que viveram ciclos de violência por anos e que, com apoio psicológico e orientação especializada, conseguiram retomar o controle das próprias vidas. Muitas voltaram a estudar, retornaram ao mercado de trabalho e conquistaram independência emocional e financeira”, afirma.

A violência psicológica lidera os registros em 2025, com 208 casos. Em seguida aparecem violência física (139), patrimonial (44), moral (34), sexual (9), vicária (8), discriminação de gênero (4), crime sexual (4) e violência institucional (3). A violência psicológica envolve controle, ameaças e isolamento. A patrimonial inclui retenção de documentos e controle de recursos. A violência vicária refere-se ao uso da guarda dos filhos como forma de pressão após separação.

“Os dados mostram que a violência começa no emocional, pode avançar para o físico e se estende ao patrimônio e à maternidade. Fortalecer a Ouvidoria é fortalecer a capacidade das mulheres de reconhecer essas dinâmicas e buscar proteção”, diz Aava.

Em 2025, também foram realizados 56 atendimentos jurídicos, sobretudo em casos de divórcio, guarda e retenção patrimonial. Para Maria Clara, os números refletem mudança concreta na vida das assistidas. “Quando uma mulher rompe o ciclo da violência, ela não muda só uma relação. Ela muda o rumo da própria história. Nós acompanhamos mulheres que retomaram sonhos interrompidos, que voltaram a estudar depois de anos, que reconstruíram sua autonomia financeira e emocional. Isso é política pública funcionando na vida real”, afirma. 

“Denunciar é um ato de coragem. Nosso compromisso é garantir que cada mulher encontre acolhimento, orientação e apoio para reconstruir sua autonomia”, conclui Aava.


Ouvidora Câmara Goiânia Goiás,