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Deputado José Nelto relembra trajetória de Iris Rezende no partido e diz que rompimento representa “traição” ao MDB
José Nelto afirma que MDB “deu tudo” à família de Iris e critica saída de Ana Paula
24/02/2026, às 10:40 · Por Redação
O deputado federal José Nelto (União Brasil) afirmou que o MDB foi responsável por sustentar a trajetória política de Iris Rezende e de sua família em Goiás. Segundo ele, a legenda garantiu ao ex-governador apoio em todas as disputas que enfrentou ao longo da carreira. “Alguém que disputou o governo cinco vezes não foi, logicamente, desprestigiado”, disse.
José Nelto relatou ao jornal Opção que votou em Iris Rezende para governador em 1982, 1990, 1998, 2010 e 2014 e participou de suas campanhas desde a juventude. Em encontro ocorrido no bairro Criméia Oeste, na década de 1990, ouviu do líder emedebista: “Zé Nelto, meu jovem amigo, quem começa traindo em política tem voo de pato”.
O parlamentar afirmou que Iris reconhecia a importância do partido em sua trajetória. “Em várias conversas, Iris Rezende costumava me dizer que era muito grato ao MDB, que tinha lhe dado tudo, em termos políticos. Quando quis ser governador, foi apoiado pelo MDB e eleito duas vezes. Disputou o governo do Estado de Goiás mais três vezes, e o MDB, todo o MDB, o apoiou, com empenho máximo. Quando quis ser senador, o MDB o apoiou, sem colocar nenhum obstáculo. Ao postular o cargo de ministro do governo de José Sarney e do governo de Fernando Henrique Cardoso, mais uma vez o MDB estava lá — bancando-o. Ao disputar a Prefeitura de Goiânia, o MDB não o desamparou. Então, em síntese, o que se deve dizer é: o MDB nunca faltou a Iris Rezende. Ele quase foi candidato a presidente da República — sim, pelo MDB”.
José Nelto também citou a trajetória de Iris Araújo. “O MDB também deu dois mandatos a Iris Araújo, mulher de Iris Rezende, de deputada federal. Ela chegou, como suplente, a ser senadora. Então, pode-se dizer que o MDB foi pai, mãe, avô e avó para Iris Rezende e sua família — cuja dolce vita advém de o político ter sido promovido, ao longo de décadas, pelos líderes e militantes emedebistas”.
Ao comentar a decisão de Ana Paula Rezende de deixar o MDB para compor como vice na chapa de Wilder Morais (PL), José Nelto afirmou: “Tenho o maior respeito tanto por Ana Paula Rezende quanto por seu marido, Frederico Peixoto, sócio da Construtora FGR. Não tenho nada para falar deles no campo pessoal, pois são decentes. Mas, em termos políticos, ao trair — e não há outra palavra para denominar seu ato —, não Daniel Vilela, e sim todo o MDB, Ana Paula anuncia, como sugeriu Iris Rezende, que tende a ter voo de pato”.
O deputado mencionou ainda o contexto histórico da cassação de Iris Rezende durante o regime militar. “Vale notar que Wilder Morais, o pré-candidato a governador apoiado por Ana Paula Rezende, tem vínculos com a extrema direita que, em 1969, cassou o mandato de prefeito de Iris Rezende. O emedebista foi cassado pela linha dura, a dos generais Costa e Silva, Emilio Médici, Sylvio Frota [o general Augusto Heleno, quando jovem, trabalhou em seu gabinete) e do tenente-coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Então, se pudesse sair do túmulo, Iris Rezende o faria para dar uma ‘bronca’ em sua filha”.
Por fim, José Nelto avaliou que a decisão não terá impacto eleitoral. “A rigor, Ana Paula não transfere votos para Wilder Morais — porque não os tem. Tanto que Daniel Vilela, o pré-candidato do MDB a governador, deverá ser eleito no primeiro turno”, disse. “Ana Paula alinhou-se com a vanguarda do atraso, pois pertence à turma dos que são os primeiros a chegar atrasados”.
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