Poder Goiás


Goiânia, 21/02/26
Matérias
Reprodução

Substância para lesão medular está em fase de pesquisa; uso ocorreu de forma compassiva e fora de ensaio clínico formal

Paciente em Goiás recebe polilaminina por decisão judicial

21/02/2026, às 09:53 · Por Redação

Um paciente goiano recebeu, em janeiro deste ano, a polilaminina, substância em fase de pesquisa para tratamento de lesão medular aguda. O procedimento ocorreu no Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), em Goiânia, por meio de autorização judicial para uso compassivo, mecanismo que permite acesso a terapias experimentais quando não há alternativa disponível.

O homem, entre 40 e 50 anos, foi operado em 14 de janeiro de 2026. Segundo o secretário estadual de Saúde, Rasível Santos, o Estado apoiou a logística. “Também disponibilizamos acompanhamento fisioterapêutico do paciente”, afirmou ao jornal O Popular.

A polilaminina é estudada há décadas por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob coordenação da cientista Tatiana Sampaio, em parceria com o laboratório Cristália. Em janeiro de 2025, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciaram o início da fase 1 do estudo clínico para avaliar a segurança da substância em casos de Trauma Raquimedular Agudo (TRM). Segundo o Cristália, nenhum paciente foi incluído nessa etapa até o momento, pois a documentação ainda não estava concluída.

Tatiana Sampaio afirma que o tratamento ainda é uma hipótese. “Ainda não é um feito, é uma promessa de tratamento. No dia em que ele estiver registrado, as pessoas usarem e todas elas recuperarem a função, se todo mundo voltar a andar, aí sim fizemos uma revolução”, disse ao portal G1 Goiás.

O neurocirurgião Bruno Cortes, responsável pela cirurgia em Goiás, informou que o paciente era tetraplégico e apresentou ganhos sensoriais após o procedimento. Segundo ele, a substância é aplicada após a descompressão da medula e atua como anti-inflamatório e como suporte para reconexão neural. “Em uma abordagem tradicional, paramos aí”, explicou. Ele ressalta que o método é voltado a casos agudos e que a reabilitação permanece essencial. “A fisioterapia segue sendo fundamental para a recuperação da parte motora. É necessária muita resiliência fisioterápica”, disse.

O Cristália informou ter recebido 57 pedidos judiciais para uso compassivo. Até agora, 24 cirurgias foram realizadas e outras sete estão previstas. A substância é fornecida sem custo e as aplicações não integram protocolo formal de pesquisa. No Crer, cerca de 70 pacientes com lesão medular são atendidos por mês. Em 2025, foram 926 pacientes, com média de internação de 28 dias e tratamento ambulatorial de cerca de nove meses.

Na Assembleia Legislativa de Goiás, o deputado Antônio Gomide (PT) apresentou projeto para permitir acesso à polilaminina pelo SUS estadual sem necessidade de decisão judicial, mediante indicação médica. “Atualmente, o acesso a tratamentos experimentais de alto custo e inovação tecnológica frequentemente depende de ações judiciais individuais, gerando demora, desigualdade de acesso e sobrecarga do Poder Judiciário. Este projeto busca romper esse ciclo”, justificou.