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Goiânia, 16/02/26
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Carnaval não é uma festa, é a suspensão coletiva da normalidade

Coluna do Pablo Kossa: Ainda bem que no Brasil tem o Carnaval

16/02/2026, às 00:41 · Por Pablo Kossa


Nunca me canso de enaltecer um país que concede um feriadão emendado de quatro dias dedicado à esbórnia e ainda oferta um meio-feriado na quarta-feira de Cinzas, essa espécie de Engov do calendário oficial. para curar a ressaca. Deve ser deprê demais não ser brasileiro e não poder empurrar algumas coisas com a barriga dizendo “a gente resolve isso depois do Carnaval”.

 

Todo mundo tem uma boa lembrança desse período. Pode ser o religioso que passou os dias em um acampamento da igreja em congraçamento com seus irmãos de fé, ou a criança que viajou com a família para a fazenda e passou o feriadão brincando com os primos em vez de ficar na sala de aula, ou o jovem que vai a seu primeiro bloquinho de rua e entende o que é a verdadeira confusão carnavalesca, ou ainda o velho folião de muitas histórias impublicáveis gravadas na memória.

 

O feriado do Rei Momo é inesquecível.

 

Na época em que os bailes de clube eram o auge do Carnaval, um amigo meteu um migué na esposa e disse que iria para uma pescaria e voltaria só no dia seguinte. Foi para o salão e fez tudo o que a Bíblia não recomenda. Com o sol já quente na manhã seguinte, chega na padaria do bairro onde morava para comer algo e tentar melhorar pra chegar em casa sem dar bandeira. Ao entrar, viu sua companheira vestida de havaiana abraçada e cheia de dengo com um sujeito fantasiado de pirata. Entendeu tudo e foi pra casa. Quando ela chegou e o encontrou tomando banho, contou que foi para uma festinha na casa de uma amiga. Pode até ser verdade, mas tinha mais que amigas por lá... Ele não disse nem o que viu e nem o que fez. Afinal ela perguntou onde estavam os peixes da pescaria e ele não tinha nem um lambari pra servir de álibi. Inventou uma história, ela fingiu que acreditou e ele nunca disse o que viu na padaria. Justo. Não dá pra cobrar o que não se faz. Estão juntos até hoje. O que acontece no Carnaval fica no Carnaval.

 

Adoro também o show das fantasias que representam o auge da criatividade do brasileiro. Todos os memes do ano viram algo que a pessoa se veste para tirar uma onda. As fantasias que são cheias de duplos, triplos, quádruplos sentidos também são bem apropriadas para a orgia dos sentidos desse período. Vale tudo, diria Tim Maia.

 

Carnaval não é uma festa, é a suspensão coletiva da normalidade. Para a turma que fica no sofá lendo ou vendo séries e também para os que viram os dias virados na gandaia. Sabemos que o absurdo não só é permitido, é obrigatório até a terça-feira. 

 

Ainda bem que na quarta a gente só bate o ponto ao meio-dia...


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