Poder Goiás


Goiânia, 27/02/26
Matérias
Reprodução

Casos chegam ao Judiciário e a câmaras de conciliação e alteram o modelo de gestão em ambientes coletivos

Conflitos em condomínios impulsionam busca por síndicos profissionais

31/01/2026, às 07:04 · Por Redação

O aumento de conflitos em condomínios nos últimos anos tem levado disputas a meios extrajudiciais e ao Judiciário e influenciado a mudança no perfil de gestão desses espaços. O tema ganhou destaque após o homicídio da corretora Daiane Alves de Souza, de 43 anos, morta pelo síndico Cléber Rosa de Oliveira, em Caldas Novas. Empresários do setor e síndicos defendem que a escalada de impasses ampliou a procura pela terceirização da função.

O crime ocorreu no Condomínio Golden Thermas Residence após uma sequência de processos movidos por Daiane contra o síndico no último ano, com denúncias de crimes contra a honra, lesão corporal leve e perseguição. Ele alegava descumprimento de regras internas. Em 17 de dezembro, a corretora desapareceu após descer ao subsolo do prédio, depois do desligamento da energia em seu apartamento. O corpo foi localizado 42 dias depois em área de mata.

Para profissionais do setor, o caso expõe conflitos recorrentes em condomínios, que vão de desentendimentos entre vizinhos a embates entre moradores e administradores. Proprietário da Vértice Assessoria e síndico profissional, Thiago Lobato disse ao jornal O Popular que a busca por síndicos profissionais cresceu durante a pandemia. “Os síndicos orgânicos ficaram mais receosos das reações cada vez mais violentas. Hoje as pessoas estão mais impacientes, mais ansiosas, o que gera mais conflito tanto com o condômino como com o síndico. E, para evitar isso, chamam as pessoas que já estão habituadas”, afirma.

Segundo ele, a profissionalização reduz a personalização dos conflitos. “Muitos desses conflitos pessoais acontecem porque se colocam como iguais, moradores. Quando você está lidando com seu vizinho, por vezes leva para o lado pessoal. Nós estamos ali para cumprir a convenção e o regimento interno. Então com um profissional não tem ego, pessoalidade, amizade”, afirmou.

Proprietária da Bessa Condomínios, Camylla Teixeira relata mudança no perfil após a pandemia. “Antes, mais de 90% dos síndicos eram moradores. Com a pandemia, cresceu a busca por síndicos profissionais. Muitos condomínios aderiram para não se indispor com o condômino e para manter imparcialidade”, disse. Para ela, a impessoalidade ajuda a conter a escalada de problemas. “Uma questão pequena cresce quando o síndico morador evita intervir. A terceirização ajuda a evitar isso”, afirmou.

Síndico profissional em quatro condomínios, Elimar Caetano Rosa também aponta aumento da procura e lista causas frequentes: danos entre unidades, uso inadequado de áreas comuns, conflitos em prestações de contas e locações de curta duração, com circulação de pessoas alheias à rotina do prédio.

Dados da 2ª Corte de Conciliação e Arbitragem, ligada ao SecoviGoiás, mostram que, no ano passado, houve pouco mais de 9 mil protocolos extrajudiciais envolvendo conflitos condominiais. Desses, 7,4 mil resultaram em acordo; 497 por arbitragem, com decisão de força judicial. Mais de mil seguem em andamento.