Poder Goiás


Goiânia, 27/02/26
Matérias
Reprodução

Notificações crescem 65,9% entre semanas epidemiológicas; Centro-Sul concentra registros e oito municípios decretam emergência

Casos de dengue aumentam em Goiás no início de 2026

31/01/2026, às 08:40 · Por Redação

Os casos de dengue começaram a avançar em Goiás nas duas primeiras semanas de 2026, com maior concentração na região Centro-Sul do estado. Entre a última semana epidemiológica de 2025 e a primeira deste ano, as notificações passaram de 1,6 mil para 2,7 mil, alta de 65,9%. Ao todo, oito municípios estão em situação de emergência. Há 12 óbitos em investigação, seis deles em Goiânia.

Nas duas primeiras semanas epidemiológicas de 2026, o estado somou 5,5 mil registros, patamar próximo ao do mesmo período de 2025, quando houve 5,6 mil notificações. Os dados são da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO). De acordo com o InfoDengue, da Fundação Oswaldo Cruz, a incidência cumulativa prevista para este ano tende a se aproximar da observada em 2025, mas supera a média acumulada entre 2019 e 2023.

Ao jornal O Popular, a subsecretária de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim, afirma que o crescimento entre janeiro e abril é esperado e que, até o momento, não houve explosão de casos. Ela explica que municípios próximos costumam registrar ocorrências simultâneas, o que forma aglomerados regionais. Cita Caldas Novas, no Sul do estado, onde também houve aumento em cidades vizinhas como Piracanjuba e Corumbaíba.

Segundo Flúvia, a SES-GO presta apoio aos municípios com ações de controle do vetor em áreas prioritárias e orientações para manejo clínico. “Desde orientação para médicos e enfermeiros quanto com o uso de bombas costais e fumacê”, disse. O acompanhamento ocorre por meio das regionais de saúde.

Além das oito cidades em emergência — concentradas sobretudo nas regiões Sudoeste e Sudeste —, outras 128 estão em alerta. Caldas Novas decretou calamidade em saúde pública após aumento de dengue e chikungunya no início do ano. 

As ocorrências se concentram em bairros como Parque Real, Santa Efigênia, Nova Vila e Jardim Privé, onde a prefeitura intensificou mutirões de limpeza e ações de saúde. Nos primeiros dias do ano, 25 mil imóveis foram visitados. Na última quarta-feira (28), a agente Alessandra de Oliveira Conceição encontrou focos em dez imóveis no Santa Efigênia. “Localizados em vasilhas de água, pneus, vasos de plantas, dentre outros”, relatou.

Na capital, os registros também aumentaram. O superintendente de Vigilância em Saúde de Goiânia, Flávio Toledo, informou que as regiões Noroeste e Sudoeste concentram os casos. “Por isso, estamos intensificando as visitas nessas áreas”, disse. Há cerca de 900 notificações, e a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia prepara força-tarefa para registrar mais 600 a 700 casos no sistema federal.

Goiânia mantém parceria com a Universidade Federal de Goiás e a Fiocruz para instalar cerca de 900 armadilhas em Campinas e no Centro. “São dispersoras de larvicidas. Os mosquitos sujam as patas e levam o produto para outras poças”, explicou Toledo. Ele reforça a necessidade de participação dos moradores. “Precisamos da ajuda de todos.”

Segunda dose
A adesão à segunda dose da vacina contra a dengue segue baixa. “É essencial para uma proteção eficaz”, afirmou Flúvia Amorim. Segundo a SES-GO, foram aplicadas 749 mil doses na faixa de 4 a 59 anos (506,3 mil da primeira dose e 242,6 mil da segunda). Desse grupo, 221,3 mil pessoas (47,71%) estão com a segunda dose em atraso.

Entre 6 e 16 anos, foram aplicadas 696,9 mil doses (473,3 mil da primeira e 223,6 mil da segunda), com 207,4 mil (48,12%) em atraso. Atualmente, a vacinação ocorre de 6 a 16 anos; a ampliação para 4 a 59 anos ocorreu em abril de 2024 por proximidade do vencimento das doses.


Dengue Goiás,