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Caiado e Noleto recolocam Goiás na primeira divisão. Resta saber se esse protagonismo será duradouro ou apenas um raio em dia de sol
Coluna do Pablo Kossa: Caiado e Olavo Noleto recolocam Goiás na primeira divisão da política brasileira
28/01/2026, às 23:03 · Por Pablo Kossa
Esta semana foi prodigiosa para a política goiana como há tempos não víamos. Independentemente de simpatias ideológicas, é preciso reconhecer: Goiás emplacou dois nomes na primeira divisão do debate político nacional. Ronaldo Caiado e Olavo Noleto, em campos opostos, são hoje conterrâneos sob os holofotes da mídia nacional.
Faça um exercício de memória e tente lembrar quem foram os últimos protagonistas goianos em Brasília.
Carlos Alberto Franco França, ministro das Relações Exteriores durante o governo Jair Bolsonaro, foi o mais recente a ocupar uma posição de destaque. Ainda assim, apesar de ter nascido em Goiânia, trata-se de um quadro técnico do Itamaraty, com trajetória intelectual construída sobretudo em São Paulo e Brasília. Já Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda no governo Michel Temer e ex-presidente do Banco Central nos dois primeiros mandatos de Lula, é mais identificado com Goiás. Mesmo assim, sempre foi uma figura de perfil nacional: ora assumia a identidade goiana quando lhe convinha disputar eleições por aqui, ora se colocava como postulante à Prefeitura de São Paulo.
Bem diferente de décadas anteriores, quando nomes como Íris Rezende, à frente dos ministérios da Agricultura e da Justiça, e Henrique Santillo, que comandou a Saúde, projetavam Goiás no cenário nacional. Esses sim autênticos e legítimos goianos, com raízes profundas em nossa terra.
Caiado e Noleto se enquadram nessa mesma categoria: são inequivocamente goianos de nascimento e de trajetória política.
Ao concretizar sua filiação ao PSD, comandado por Gilberto Kassab, Caiado demonstra musculatura política. Em Brasília, sua saída do União Brasil já era dada como certa, isso estava precificado. A expectativa dominante, porém, era que ele migrasse para uma sigla de menor porte, capaz apenas de garantir legenda para uma candidatura presidencial. Falava-se na federações entre PRD e Solidariedade ou o Podemos. Não foi o que ocorreu. Ao ingressar no PSD, ainda mais em ato que contou com a presença dos governadores Eduardo Leite e Ratinho Júnior, Caiado deixa claro que tem protagonismo real no cenário nacional de 2026.
Outro goiano a alcançar o primeiro escalão da política brasileira é Olavo Noleto. Goianiense com longa experiência em articulação institucional, foi escolhido para comandar a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, substituindo Gleisi Hoffmann. Trata-se de uma pasta estratégica, responsável pelo diálogo com o Congresso construindo pontes entre o Planalto e os parlamentares. Entendeu que não estamos falando de função meramente burocrática, né? Com Noleto, a influência goiana volta a ocupar o coração da administração federal.
Durante muito tempo, atribuí a quase inexistente presença de goianos na elite política brasileira ao baixo peso populacional do Estado e à participação modesta de Goiás na composição do PIB nacional.
Há algum tempo, mudei de opinião. O problema não está nesses fatores, mas na baixa qualidade média da representação parlamentar que enviamos ao Congresso. Elegemos, reiteradamente, um contingente de “vereadores federais” sem poder de articulação e com limitada capacidade intelectual para participar dos grandes debates nacionais.
Se população pequena e economia periférica fossem impeditivos, não veríamos lideranças de estados como Amapá (Davi Alcolumbre e Randolfe Rodrigues), Alagoas (Arthur Lira) ou Paraíba (Hugo Motta) ocupando posições centrais no poder.
A culpa então é do perfil político que nós goianos escolhemos eleger.
Caiado e Noleto recolocam Goiás na primeira divisão. Resta saber se esse protagonismo será duradouro ou apenas um raio em dia de sol.
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