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Corretora de imóveis Daiane Alves de Souza desapareceu na noite de 17 de dezembro, após descer ao subsolo do Edifício Ametista Tower, situado no Residencial Golden Thermas
Corretora desaparecida: síndico responde a 12 processos ligados a Daiane, afirma família
27/01/2026, às 09:38 · Por Redação
O síndico Cleber Rosa de Oliveira, responsável pela administração do prédio onde desapareceu a corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, responde a 12 processos relacionados à mulher, segundo relato da família. O caso ocorreu em Caldas Novas, no sul de Goiás. Em nota ao G1 Goiás, a defesa de Cleber afirmou que ele não figura como investigado no inquérito policial que apura o desaparecimento e que tem colaborado com as autoridades, fornecendo informações solicitadas.
A denúncia mais recente foi oferecida em 19 de janeiro, 39 dias após o sumiço da corretora. O Ministério Público de Goiás acusou o síndico do crime de perseguição (stalking), com agravante de abuso de função, em razão do cargo que exerce no condomínio onde Daiane morava e administrava imóveis da família.
Outro processo apontado como relevante pela família trata de uma ação penal por lesão corporal, ajuizada em maio de 2025. Nesse caso, Cleber é acusado de ter desferido uma cotovelada em Daiane durante um confronto relacionado ao desligamento do fornecimento de energia no prédio.
Daiane desapareceu na noite de 17 de dezembro, após descer ao subsolo do Edifício Ametista Tower, situado no Residencial Golden Thermas. Ela administrava seis apartamentos da família no local. A filha, de 17 anos, mora com a corretora, mas não estava no prédio naquela noite.
À TV Anhanguera, o delegado André Barbosa, responsável pelas apurações, informou que o caso não é tratado como crime e que, até o momento, não há suspeitos formalmente apontados. “Trabalhamos com a hipótese de a Daiane ter deixado o local por conta própria ou mesmo ter sido levada do prédio. A polícia não trabalha com suspeitos porque não existe comprovação de que ela tenha sido morta”, disse.
A mãe da corretora, Nilze Alves, de 61 anos, afirmou ao g1 que a denúncia do MP não esclarece o paradeiro da filha, mas traz sensação de avanço institucional. “É um alívio. Uma sensação de justiça sendo feita. Eu sinto muito que ela não esteja aqui para saber”, afirmou, ao relatar que a filha teria sido perseguida por cerca de um ano. Segundo Nilze, a perseguição ocorria de forma reiterada, inclusive por mensagens em grupos de WhatsApp do condomínio.
Assembleia contestada
A irmã de Daiane, Fernanda Alves, declarou que uma assembleia convocada por Cleber para expulsar a corretora do prédio foi irregular e reforçou a existência de perseguição. “Pessoas votaram contra a ‘expulsão’, mas o síndico declarou que faria de tudo para impedir que ela trabalhasse no prédio”, disse. O advogado da família, Plínio César Cunha Mendonça, informou que acompanha todas as frentes investigativas, que tramitam sob sigilo, e aguarda resultados de laudos periciais realizados no condomínio e em objetos apreendidos.
Linhas de investigação
A família sustenta a hipótese de rapto por alguém que conhecia a rotina da corretora e as dependências do prédio, sem apontar suspeitos. “A captura da Daiane foi muito bem elaborada. A pessoa sabia que ela estava sozinha, conhecia os pontos cegos e desligou especificamente o padrão de energia”, afirmou Fernanda. Nilze relatou ainda que a filha deixou a porta do apartamento aberta ao descer para verificar a queda de energia, mas a encontrou trancada depois. Vídeos enviados por Daiane a uma amiga mostram a porta aberta quando ela entrou no elevador, o que indicaria retorno rápido.
Imagens registraram Daiane entrando no elevador, passando pela portaria e descendo ao subsolo. Não há registros dela deixando o prédio ou retornando ao apartamento. A polícia quebrou o sigilo bancário e constatou ausência de movimentações após o desaparecimento. O carro estava em uma oficina em Uberlândia (MG), e a corretora usava aplicativos de transporte na cidade.
Nota da defesa
A defesa técnica de Cleber reiterou que ele não é investigado no inquérito do desaparecimento e que atua de forma colaborativa. Sobre a denúncia por perseguição, sustentou que as condutas se deram no cumprimento de deveres legais do cargo de síndico e que a acusação carece de provas materiais, baseando-se, segundo a defesa, em versão unilateral. Os advogados pediram cautela na divulgação de informações para evitar especulações que possam atingir a honra do administrador.
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