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Daiane foi vista pela última vez no prédio onde a família mora, no centro de Caldas Novas, no dia 17 de dezembro
Síndico de prédio onde corretora desapareceu é denunciado por perseguição, afirma família
25/01/2026, às 08:47 · Por Redação
O síndico do prédio onde desapareceu a corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, em Caldas Novas, no sul de Goiás, foi denunciado pelo Ministério Público de Goiás pelo crime de perseguição, conhecido como stalking, com agravante de abuso de função. A informação foi confirmada pelo advogado da família.
A denúncia foi oferecida em 19 de janeiro contra Cleber Rosa de Oliveira, síndico do condomínio, com base no artigo 147-A do Código Penal, combinado com o artigo 61, que trata do agravante pelo exercício da função. Com esse novo processo, chegam a 12 as ações judiciais que envolvem conflitos entre Daiane e Cleber.
Segundo a peça assinada pelo promotor de Justiça Cristhiano Menezes da Silva Caires, o síndico teria usado a posição administrativa para criar obstáculos à rotina da corretora, submetendo-a a vigilância constante por meio do sistema de câmeras do prédio e a situações de constrangimento reiterado.
De acordo com o Ministério Público, a conduta incluía interferência em serviços essenciais ligados aos imóveis administrados por Daiane, como fornecimento de água, energia elétrica, gás e internet. A denúncia também menciona episódios de intimidação e registra, em um dos casos, agressão física. O documento aponta ainda que Cleber impunha exigências fora do padrão, como solicitações presenciais acompanhadas de firma reconhecida em cartório.
Outro ponto destacado é o monitoramento da movimentação da corretora e de hóspedes pelas câmeras do condomínio, com envio de imagens à irmã do síndico. Para o MP, os fatos caracterizam perseguição reiterada, potencializada pelo abuso da função exercida no condomínio.
Processos
A família informou que, após reunir e reavaliar ações já existentes envolvendo Daiane e a administração do prédio, o Ministério Público identificou novos elementos que fundamentaram a denúncia por stalking. Segundo os familiares, o MP e o Judiciário atuaram nos procedimentos anteriores, agora reunidos em um conjunto mais amplo de investigações.
O conflito, conforme descrito na denúncia, teria começado após um desentendimento relacionado à locação de um imóvel com número de hóspedes acima do permitido pelas regras do condomínio.
Além da responsabilização criminal, o Ministério Público pediu que a Justiça fixe indenização mínima por danos morais no valor de dois salários mínimos. O advogado Plínio César Cunha Mendonça, que representa a família, afirmou que todas as linhas de investigação seguem em curso, sob sigilo, e que ainda são aguardados laudos periciais realizados no condomínio e em objetos apreendidos.
Desaparecimento
Daiane foi vista pela última vez no prédio onde morava com a família, no centro de Caldas Novas, em 17 de dezembro. Ao portal G1 Goiás, a mãe, Nilse Alves Pontes, relatou que a filha foi ao subsolo do edifício para tentar restabelecer a energia do apartamento, que estava sem luz.
Imagens de câmeras de segurança mostram a corretora no elevador por volta das 19h, enquanto gravava um vídeo para uma amiga. Ela sai da cabine no subsolo e não retorna. Segundo a família, Daiane deixou a porta do apartamento aberta ao sair, o que indicaria a intenção de voltar em seguida. A mãe afirmou, porém, que encontrou a porta fechada posteriormente.
A polícia também quebrou o sigilo bancário da corretora e constatou ausência de movimentações financeiras após o desaparecimento. O carro de Daiane estava em uma oficina em Uberlândia (MG), e, segundo a família, ela utilizava aplicativos de transporte para se deslocar pela cidade.


