Poder Goiás
Goiânia, 26/01/26
Matérias
Divulgação

Editais de circulação artística são ótimas iniciativas para formação de público e democratização do acesso à cultura

Coluna do Pablo Kossa: Artistas goianos na Bahia são uma boa ideia, mas é preciso continuidade

23/01/2026, às 00:50 · Por Pablo Kossa

O Governo de Goiás, por meio de um convênio com o Sesc-GO, vai levar artistas goianos aos palcos de seis cidades baianas. Teatro, música, dança e circo são as linguagens contempladas pelo Claque Cultural. É uma boa iniciativa? Sim, mas só se tiver continuidade e transparência na seleção pública dos escolhidos.

 

Se terminar nessa turnê, será dinheiro público jogado fora. Estamos falando de quase R$ 23 milhões, sendo R$ 15 milhões do erário estadual. Caso sejam abertos os teatros do Sesc goiano para intercâmbio com artistas da Bahia, caso seja ampliado o palco para a arte feita em Goiás em Sescs de outras unidades da federação, caso tenha continuidade, caso não fique só na panelinha dos mesmos artistas trata-se de um ótimo projeto.

 

Editais de circulação artística são ótimas iniciativas para formação de público e democratização do acesso à cultura. O mais icônico do Brasil é o Projeto Pixinguinha. Bancado pela Funarte, ele leva artistas consagrados e novatos para cidades brasileiras que jamais receberiam tais talentos. Gente do calibre de Elizeth Cardoso, João do Vale, Marlene, Nelson Cavaquinho, Carmélia Alves, Johnny Alf, Dona Ivone Lara e Zélia Duncan.

 

Achou pouco? Também estiveram na estrada do Brasil shows conjuntos de lendas como Cartola/João Nogueira, Nara Leão/Dominguinhos, Moreira da Silva/Jards Macalé e Marlene/Gonzaguinha.

 

De 1977 até 1994, quando o projeto foi interrompido, também se apresentaram João Bosco, Djavan, Clementina de Jesus, Paulinho da Viola, Joyce Moreno, Toninho Horta, Leci Brandão, Danilo Caymmi, Guinga, Yamandu Costa, Leila Pinheiro, Jackson do Pandeiro, Edu Lobo, Zizi Possi, Arrigo Barnabé, Vitor Ramil, Itamar Assumpção, Fafá de Belém, Beto Guedes e Canhoto da Paraíba.

 

Que seleção!

 

O Projeto Pixinguinha voltou em 2004 mas nunca mais teve continuidade real. Ficou entre idas e vindas, de acordo com o interesse do governo de ocasião. Por isso perdeu relevância. Novamente foi retomado com o nome de Circuito Pixinguinha no final de 2024. Mas se não for perene, não cumprirá seu intuito.

 

Por isso que o Claque Cultural não pode ser um raio em dia de céu azul. E claro que num momento onde Ronaldo Caiado almeja projeção nacional para viabilizar sua candidatura presidencial, uma pulga pinta atrás da orelha sobre a possibilidade do projeto ser meramente eleitoreiro. Se não tiver continuidade, merecerá todas as críticas pois ficará claro que foi oportunismo.

 

Caso permaneça com Daniel Vilela depois que o governador deixar o cargo. Caso continue na agenda de 2027 independente de quem ganhe em outubro, será digno de aplausos. Os mesmos que os artistas goianos merecem receber do restante do Brasil.