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Goiânia, 27/02/26
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Crise financeira e impasses judiciais empurram Jóquei para fora da sede histórica

Nova presidente confirma que desapropriação da sede do Jóquei está em andamento e anuncia transferência administrativa

22/01/2026, às 16:40 · Por Redação

Eleita nesta segunda-feira (19) para a presidência do Jóquei Clube de Goiás, a advogada Nívea Cristina Ribeiro de Paula afirmou que o processo de desapropriação da sede histórica da entidade, no Centro de Goiânia, é real, está em andamento, mas ainda não foi concluído. Segundo ela, a eventual mudança definitiva do local não parte de uma decisão da nova diretoria, mas decorre de entraves jurídicos, fiscais e administrativos acumulados nos últimos anos.

Em entrevista ao jornal O Popular, Nívea explicou que o decreto municipal de desapropriação já foi publicado, porém a imissão na posse do imóvel depende do pagamento de indenização por parte da Prefeitura de Goiânia. A Justiça fixou o valor de R$ 55 milhões, que ainda não foram depositados. A tentativa do município de compensar esse montante com dívidas tributárias do clube não foi autorizada judicialmente.

“A Justiça determinou que o município deposite R$ 55 milhões para conceder a posse, mas não autorizou a compensação com dívidas”, afirmou.

De acordo com a presidente, a mudança de endereço anunciada pela nova gestão, neste momento, refere-se apenas à transferência formal da sede administrativa para o Hipódromo da Lagoinha, medida considerada essencial para regularizar o CNPJ do clube, atualmente inapto por pendências fiscais.

“Precisamos regularizar o CNPJ. O prédio do Centro não tem sequer energia elétrica e não há condições de manter uma secretaria funcionando”, disse.

Para Nívea a instalação da secretaria no hipódromo permitirá o atendimento aos associados e o acesso a documentos que hoje se encontram desorganizados ou inacessíveis. A sede histórica enfrenta falta de energia elétrica e depende de poço artesiano para abastecimento de água.

Sobre o destino definitivo do imóvel do Centro, a presidente afirmou que tudo dependerá do desfecho do processo de desapropriação e das negociações com a Prefeitura. A nova diretoria ainda deve se reunir com o prefeito Sandro Mabel (UB) para levantar informações completas sobre a situação jurídica e financeira da entidade.

“Se a desapropriação for concluída, o prédio será transferido ao município, mediante pagamento ou acordo. Mas isso ainda depende de negociação. Vamos estudar os processos e sentar para conversar”, declarou.

Apesar da crise administrativa e do alto passivo, Nívea garantiu que o hipódromo reúne condições de funcionamento e que as atividades ligadas às corridas não foram interrompidas. Segundo ela, a carta patente do clube junto ao Ministério da Agricultura continua válida.

“Existe um processo em curso, mas ela não foi cancelada. Já entramos em contato com o ministério para regularizar tudo o que for necessário.”

A presidente também afirmou que a nova diretoria irá apurar o valor real da dívida do Jóquei, hoje questionada judicialmente, especialmente em relação à cobrança de IPTU sobre o hipódromo.

“O que o Jóquei dever, será pago. Mas, para pagar, precisamos primeiro receber a indenização”, ressaltou.

Nívea destacou ainda o engajamento dos associados durante o processo eleitoral e afirmou que a reconstrução do clube passa pela preservação da instituição e de sua história, mais do que por um endereço específico.

“Existe um sentimento joqueano muito forte. Aceitamos esse desafio para fazer o que é certo e o que é bom para o Jóquei e para seus associados.”


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