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Escritora mineira que construiu sua história em Goiás, Spíndola teve obra reconhecida no Brasil e no exterior e era lembrada pela elegância intelectual e sensibilidade poética
Referência da poesia, Alice Espíndola morre aos 85 anos em Goiânia
21/01/2026, às 10:52 · Por Redação
Morreu nesta terça-feira (20/1), em Goiânia, a escritora e poetisa Alice Espíndola, aos 85 anos. Conhecida artisticamente como Spíndola, ela nasceu em Minas Gerais, mas foi em Goiás que construiu sua trajetória literária e se tornou uma presença marcante no cenário cultural. Segundo a família, Alice morreu enquanto dormia.
Ao O POPULAR, a neta Aline Espíndola informou que a poetisa faleceu de forma tranquila. De acordo com Ana Serra, secretária da União Brasileira de Escritores – Seção Goiás (UBE-GO), o velório será realizado nesta quarta-feira (21), a partir das 7h, no Cemitério Jardim das Palmeiras. O sepultamento está previsto para as 11h.
Nascida em 26 de setembro de 1940, no município de Nova Ponte (MG), Alice viveu por décadas em Goiânia, onde participou ativamente de eventos, encontros literários e movimentos culturais.
Para a escritora e arquiteta Narcisa Abreu Cordeiro, a perda representa o adeus a uma das vozes mais refinadas da poesia. “Ela foi uma representante expressiva da cultura goiana. Tinha grande finesse, profundo domínio da poesia e se relacionava de forma harmoniosa com todas as pessoas”, afirmou.
Narcisa também destacou que Alice dominava línguas estrangeiras e mantinha correspondência com escritores de outros estados e países, ampliando os horizontes da literatura produzida em Goiás.
O escritor Ubirajara Galli, que acompanhou sua trajetória desde os anos 1990, ressaltou que a obra de Alice é hoje mais reconhecida fora do estado, especialmente em Minas Gerais, Portugal e Espanha, onde seus poemas são estudados e referenciados. Ela também mantinha laços com o meio literário do Rio de Janeiro.
Galli relembrou ainda um episódio frequentemente contado pela autora envolvendo Vinícius de Moraes. “Ela dizia que foi apresentada ao Vinícius por um músico amigo e que ele brincou que ela seria uma segunda Garota de Ipanema”, contou.
De acordo com ele, Alice era muito querida entre escritores, acadêmicos e leitores, conhecida pela elegância intelectual, afetuosidade e sensibilidade. Spíndola era filiada à União Brasileira de Escritores – Seção Goiás, onde atuou ativamente desde 1992.
A escritora Elizabeth Brito, que prepara um dicionário crítico sobre vozes femininas da literatura em Goiás, destacou que o reconhecimento da obra de Alice sempre foi maior fora do estado. “Ela acumulou prêmios e distinções concedidos por instituições internacionais, inclusive da sociedade francesa. Em Goiás, seu nome nunca foi prestigiado na mesma medida da qualidade da sua obra”, afirmou.
Segundo Elizabeth, em Nova Ponte, cidade natal da escritora, Alice sempre teve reconhecimento mais expressivo, especialmente quando comparado ao cenário goiano.
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