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Em Conceição, ligação para médico, polícia ou bombeiros só é possível por aparelho instalado em supermercado; Anatel prevê retirada dos orelhões não obrigatórios a partir de 2026
Sem sinal de celular, povoado de Bela Vista depende de único orelhão para se comunicar
21/01/2026, às 10:36 · Por Redação
Conforme reportagem divulgada pelo jornal O Popular, no povoado de Conceição, em Bela Vista de Goiás, o sinal de telefonia celular é praticamente inexistente. Para falar com o “lado de fora”, moradores dependem de um único orelhão instalado em frente a um supermercado. Quando falta energia, nem isso funciona — a não ser que o dono do comércio ligue o gerador.
“Se eu for à minha chácara, em cima de uma serra, ainda consigo pegar um pouco de sinal, mas é ruim”, relata o empresário Adenilson Rabelo. Segundo ele, pessoas em um raio de cerca de 15 quilômetros usam o telefone público instalado em seu estabelecimento, que acaba funcionando como o principal meio de comunicação da comunidade.
O orelhão do local — alimentado, quando necessário, pelo gerador do supermercado — é um dos 101 aparelhos ainda em funcionamento em Goiás, de um total de 162 instalados, conforme dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). As informações são baseadas em levantamentos das operadoras Algar, Claro e Oi.
Desde o início deste ano, as empresas estão autorizadas a retirar os orelhões que não estejam em locais considerados obrigatórios, ou seja, onde há cobertura eficiente de telefonia móvel. De acordo com a Anatel, os contratos de concessão do serviço de telefonia fixa se encerraram em 2025, permitindo que, a partir de 2026, seja iniciado o processo de retirada dos aparelhos não obrigatórios.
Apesar disso, nos termos de adaptação firmados com a agência, as operadoras se comprometeram a manter, até 31 de dezembro de 2028, quase 9 mil orelhões no país em localidades onde o sinal de celular ainda é deficiente. A Anatel não informou, até o fechamento da reportagem, quantos desses aparelhos, em Goiás, se enquadram como obrigatórios.
“Se tirar daqui, vai ser muito ruim. Aqui não pega sinal e o orelhão é muito útil. São só dois anos até poder tirar tudo”, afirma Rabelo. Segundo ele, o telefone é usado principalmente por idosos, para marcar consultas médicas em Bela Vista ou Goiânia. “Na sexta-feira, forma fila aqui para marcar exames, porque na terça tem médico no posto. É também o jeito que tem para ligar para o 190, 192 ou 193”, diz.
Além de Conceição, a Anatel registra outro orelhão em Bela Vista, no povoado de Roselândia, que estaria estragado. Rabelo conta que, quando o aparelho quebra, a comunidade recorre informalmente a contatos com a operadora para tentar viabilizar o conserto.
Quando falta energia, como ocorreu nesta terça-feira (20), o telefone só funciona se o comerciante ligar o gerador. Quem usa aplicativos de mensagem também depende do wi-fi do supermercado. “Eles ficam na pracinha usando minha internet. Mas quando fecho o comércio e acaba a energia, ficam sem comunicação nenhuma”, relata.
Em Goiás, 85 municípios ainda possuem orelhões compatibilizados nos contratos com a Anatel, e em 57 cidades ainda há aparelhos em funcionamento. Sobre os equipamentos inativos ou abandonados, a agência avalia solicitar às operadoras um plano de retirada. Usuários também podem fazer pedidos diretamente às empresas.
De acordo com a Anatel, com o fim dos contratos de concessão, abriu-se espaço para um novo modelo regulatório, com foco em investimentos em banda larga e telefonia móvel. Como contrapartida, as empresas assumiram compromissos de ampliação da infraestrutura, incluindo fibra óptica, implantação de antenas 4G, expansão da cobertura móvel, conectividade em escolas e construção de data centers, além da manutenção temporária dos serviços de voz em localidades isoladas.
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