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Divulgação - Secom Goiás
Retorno do mundial ao MotoGP no Autódromo Ayrton Senna, após quase quatro décadas, mobiliza infraestrutura urbana, setor de serviços e turismo, com expectativa de público acima de 150 mil pessoas
MotoGP impulsiona obras, altera trânsito e projeta impacto bilionário na economia de Goiás
18/01/2026, às 13:11 · Por Redação
Goiânia recebe, entre 20 e 22 de março, uma etapa do Campeonato Mundial de MotoGP, evento que volta ao Autódromo Ayrton Senna após quase 40 anos. Além das intervenções na pista, o calendário provoca mudanças no trânsito, organização de áreas específicas para motorhomes e uma mobilização ampla do mercado de serviços. A estimativa é de público superior a 150 mil pessoas ao longo dos três dias.
Estudo do Instituto Mauro Borges aponta que o MotoGP deve movimentar mais de R$ 868 milhões na economia goiana por meio do turismo, com previsão de arrecadação superior a R$ 130 milhões em tributos como ICMS e ISS. O cálculo considera gasto médio de R$ 3.180 por visitante, em um público formado por 12% de estrangeiros e 32% de turistas de outros estados. Transporte, hotelaria e alimentação aparecem entre os segmentos mais impactados.
Ao jornal Opção, o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Goiás (Abrasel-GO), Danillo Ramos, o evento representa uma oportunidade para elevar o faturamento do setor. “O campeonato traz uma injeção muito forte para a economia goianiense, movimentando negócios e gerando renda, emprego e visibilidade internacional”, afirmou. Segundo ele, a gastronomia local e o custo considerado competitivo pesaram na escolha da capital como sede. “Para nós, comer uma pamonha, uma jantinha ou um ‘dogão’ em um restaurante regional, com mesa na calçada — o jeito goiano — é comum. Para o estrangeiro, isso é algo totalmente novo.”
Com foco no atendimento ao público internacional, a Abrasel articula, ao lado da Fecomércio e do Senac, cursos de inglês e espanhol para empresários e equipes. A entidade também incentiva o uso de ferramentas digitais de tradução e a adaptação de cardápios. “Acreditamos que este será o primeiro ano em que as pessoas passarão a se informar mais sobre a importância do conhecimento de outro idioma”, disse Ramos.
Na hotelaria, o cenário segue a mesma tendência. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Goiás (Abih-GO), Charleston Pimentel, informou que a ocupação na capital já alcança 70%, índice que representa cerca de 13 mil reservas dos 18.696 leitos disponíveis, segundo o censo hoteleiro de 2022. A expectativa é de lotação durante o evento. Também há aumento de reservas em cidades vizinhas, como Anápolis, Aparecida de Goiânia, Trindade, Pirenópolis, Caldas Novas e Bela Vista. “Quase todas essas cidades próximas serão beneficiadas, porque o número de leitos de Goiânia não comporta a competição sozinho”, afirmou.
Como medida preventiva, a Prefeitura de Goiânia e o Governo de Goiás devem realizar um mutirão de vacinação voltado aos profissionais da hotelaria. Para Pimentel, a edição inaugural servirá como teste para os próximos anos, já que o contrato prevê cinco temporadas e possibilidade de prorrogação.
Na área logística, o governo estadual, por meio da Secretaria-Geral de Governo, definiu uma área de 140 mil metros quadrados na GO-020 para acomodar motorhomes, além do uso do estacionamento sul do Estádio Serra Dourada. Também foi apresentado um plano de transporte e trânsito, com linhas exclusivas de ônibus pela RedeMob e intervenções viárias em parceria com a Prefeitura de Goiânia. Segundo a coordenadora do Eixo Cidades para o MotoGP, Thaís Moraes, a GO-020 terá percurso exclusivo em sentido único durante os dias de prova. “Nos dias do evento o público só acessará o autódromo através de linhas especiais de transporte coletivo e motocicletas próprias. Os moradores dos condomínios das regiões próximas ao autódromo terão uma identificação especial para transitas nas vias de acesso”, afirmou.
Em relação ao retorno do campeonato, o secretário estadual de Esportes e Lazer, Hudson Guerra, afirmou ao jornal Opção que a iniciativa partiu do governador Ronaldo Caiado, ainda em 2019, com o objetivo de profissionalizar o esporte e reposicionar o autódromo no circuito internacional. As negociações envolveram a Dorna Sports e incluíram visitas técnicas aos Países Baixos e à Espanha. “Nós visitamos uma prova de motovelocidade em Assen, na Holanda, e de lá fomos para Madri, na Espanha, conversando com a Dorna para entender qual era a forma correta e jurídica para o Estado trazer esse evento de volta”, disse. Segundo ele, o contrato tem duração de três anos, com mais dois opcionais.
A preparação do autódromo concentrou investimentos de R$ 164 milhões. As obras civis, sob responsabilidade da Agência Goiana de Infraestrutura (Goinfra), somam R$ 56 milhões e incluem novos boxes, banheiros, drenagem e rede elétrica. Já as intervenções esportivas, como pavimentação e alargamento da pista, totalizam R$ 108 milhões, em contrato intermediado pela Federação Internacional de Motociclismo. Na última quinta-feira (15), técnicos da FIM aprovaram as adequações realizadas após vistoria em novembro de 2025.
Com o evento, o governo aposta na projeção internacional de Goiás e na integração do turismo regional. “Trazemos todos os municípios da área do turismo em parceria — como Pirenópolis, Rio Quente e Caldas Novas — e damos uma oportunidade para que os estrangeiros conheçam toda a cultura do povo goiano”, afirmou Hudson Guerra.
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