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No encerramento, direcionado a estudantes de comunicação, Kossa aconselhou aprender idiomas como inglês e mandarim para ampliar alcance global, e acumular repertório cultural sistemático
Colunista do Poder Goiás, Pablo Kossa fala de política e de carreira em entrevista
17/01/2026, às 14:30 · Por Eduardo Horacio
O programa “Política e Cotidiano”, apresentado pelo professor Marcos Marinho na PUC TV Goiás, estreou sua nova fase em 14 de janeiro de 2026 com uma entrevista de uma hora com o jornalista goiano Pablo Kossa, colunista do Poder Goiás.
Reconhecido por seu estilo opinativo e análises críticas da política em Goiás e no Brasil, Kossa foi o convidado ideal para inaugurar o formato ampliado, que agora permite conversas mais profundas sobre política, comunicação e cultura.
Marinho destacou a trajetória multifacetada de Kossa: formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás (UFG), mestre em Comunicação, colunista do Poder Goiás, podcaster no Mais Goiás, servidor público no Incra, DJ e escritor. O apresentador elogiou o “jornalismo uberizado” do convidado, produzido de forma independente em seu canal no YouTube, que cresceu significativamente nos últimos anos.
Kossa relatou origens humildes, sem privilégios financeiros familiares, o que o obrigou a trabalhar desde a faculdade. Inicialmente sonhava com jornalismo cultural em revistas como Bizz ou na seção ilustrada da Folha de S.Paulo, mas oportunidades no rádio, especialmente na Interativa, o levaram à popularidade em Goiás.
Ele descreveu a carreira como um “rio que guia o barco”, migrando do cultural para o político por necessidade profissional e financeira.
O jornalista explicou que o envolvimento diário com política reduz a paixão ideológica inicial, tornando a análise mais pragmática e racional, semelhante ao trabalho técnico de um cirurgião. Kossa valoriza o jornalismo opinativo por permitir independência, mas admitiu desafios nas redes sociais, como críticas de leitores desinformados e a necessidade de moderação rigorosa de comentários para preservar a saúde mental.
A pandemia acelerou sua transição para plataformas digitais, com o YouTube se tornando central após o fim de gigs como DJ.
A estabilidade do concurso no Incra permitiu liberdade para opiniões sem pressões comerciais. Kossa enfatizou que “opiniões têm preço” e que o cargo público garante autenticidade em seu trabalho.
Além do jornalismo, Kossa revelou paixões culturais: fundou o festival Vaca Amarela por dez anos, atua como DJ com sets de rock, MPB e black music, e escreveu livros sobre rock goiano, psicologia de John Lennon, história de Daia (Anápolis) e um lançamento previsto para 2026 sobre o tributo a Odair José em 2005, resgatando o cantor de rótulos pejorativos.
Na análise política, Kossa desmistificou a influência da Copa do Mundo nas eleições, citando casos históricos como 1970, 1998 e 2002. Para 2026, previu o fim da política do século XX, com alguns líderes saindo de cena e abertura para gerações mais jovens, como Flávio Bolsonaro e Ratinho Júnior.
O jornalista criticou regressões sociais globais: precarização do trabalho, educação expandida sem salários proporcionais, crise imobiliária que impede sonhos como casa própria ou veraneio, e desilusão juvenil em um mundo de colapso ambiental e guerras. “Um ser humano sem sonhos é um kamikaze”, alertou, defendendo mudanças sistêmicas urgentes nas eleições.
Kossa observou que a meritocracia atual bate em “paredes intransponíveis” sem reformas profundas, e que a geração jovem, apesar de hedonista, rejeita esforço sem recompensa real.
No encerramento, direcionado a estudantes de comunicação, Kossa aconselhou aprender idiomas como inglês e mandarim para ampliar alcance global, e acumular repertório cultural sistemático — anotando impactos de filmes, músicas e livros para “sair do raso da piscina” e aprofundar o conhecimento.
Marinho agradeceu pela conversa franca, e Kossa elogiou o espaço democrático aberto pelo programa na mídia goiana.
Veja a entrevista na íntegra clicando aqui.
Pablo Kossa Jornalismo Entrevista PUC TV
