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Goiânia, 20/01/26
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Independente do que optar, o partido corre riscos. Mas a política é exatamente isso: escolher o tamanho do risco que cada um topa correr.

Coluna do Pablo Kossa: PL goiano vai escolher o voto ou a grana?

16/01/2026, às 23:44 · Por Pablo Kossa

O PL goiano está entre a cruz e a espada. O partido tem uma encruzilhada à frente e não será fácil definir o rumo. Gustavo Gayer trabalha por uma aliança junto ao grupo liderado por Ronaldo Caiado, endossando Daniel Vilela ao Governo de Goiás. Já Wilder Morais quer disputar o Palácio das Esmeraldas e, para isso, precisa ficar longe do caiadismo. Independente do que optar, o partido corre riscos. Mas a política é exatamente isso: escolher o tamanho do risco que cada um topa correr.

Gayer é um fenômeno de votos e engajamento. Figura da primeira divisão do bolsonarismo, teve um caminhão de votos para a Câmara dos Deputados e pontua bem nas pesquisas ao Senado pra 2026. Afasta muita gente pelo perfil ultrarradical, é verdade. Mas tenta diminuir essa rejeição se aliando ao MDB e União Brasil.

Já Wilder tem outro perfil. É do bastidor e bem relacionado com a maioria dos grupos políticos. Transita bem pois, diferente de Gayer, é de fácil trato. Mantém diálogo com o bolsonarismo, Centrão e até segmentos da esquerda. Usa seu farto patrimônio para abrir portas políticas. Emprestou seu barco ancorado no Lago Paranoá pra meio mundo em Brasília. Seu jatinho é usado por figurões do quilate de Flávio Bolsonaro e Valdemar Costa Neto. Sabe jogar o jogo. Mas está longe de ser popular como Gayer.

Parece que as tentativas de conciliação entre o senador e o deputado federal já se esgotaram. Quem terá que arbitrar essa peleja será Jair Bolsonaro, influenciado pelas leituras de Flávio e do presidente nacional do PL.

No frigir dos ovos, o PL vai escolher se prefere o voto ou a grana. Simples assim.

Na hipótese de chapa bolsonarista puro-sangue, Gayer tem medo de perder a eleição para um nome endossado por Caiado no segundo voto. Culpa da alta rejeição que acumula. Quem fala muito e tem veneno de sobra paga um preço. E, caso fique sem mandato, seus problemas com a Justiça podem trazer dores de cabeça assombrosas. Por isso quer tanto estar no mesmo palanque de Daniel.

Já Wilder receia perder o mobilizado eleitor bolsonarista goiano que deixa qualquer um competitivo. O senador também tem outro problema. Se não aumenta sua popularidade, em 2030 não terá vida fácil. Na hipótese de vitória de Daniel, o emedebista se torna naturalmente pré-candidato ao Senado no próximo pleito, tendo em vista que não poderá tentar a reeleição. Logo, Wilder terá que brigar com um cachorro grande pra manter o local que hoje ocupa. Logo não tem garantia alguma para 2030.

Entendeu a sinuca de bico do PL em Goiás? Não será fácil equalizar desejos tão díspares. A direção nacional é quem vai decidir o que é prioridade.


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