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Esquema contou com a atuação conjunta do empresário José Edvarde de Lima Filho, dono da copiadora, e de André Luiz Oliveira Lima, apontado como integrante do alto escalão da organização criminosa
Documentos de clientes de copiadora em Goiânia foram usados por facção para lavar dinheiro
16/01/2026, às 10:22 · Por Redação
Clientes de uma copiadora instalada em um shopping de Goiânia tiveram cópias de documentos pessoais utilizadas, sem consentimento, em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho, segundo sentença da Justiça de Goiás. O caso resultou na condenação de um empresário do setor de fotocópias e de um dos líderes da facção, envolvidos em uma operação que movimentou cerca de R$ 500 milhões.
De acordo com a decisão judicial, o esquema contou com a atuação conjunta do empresário José Edvarde de Lima Filho, dono da copiadora, e de André Luiz Oliveira Lima, apontado como integrante do alto escalão da organização criminosa. As investigações indicam que documentos de clientes eram repassados ao grupo sem o conhecimento das vítimas.
Uma das pessoas afetadas relatou ter sido chamada pela polícia para prestar esclarecimentos. “A informação que eu tive na delegacia quando eu fui lá, é que tinham pegado esse documento meu, se não me engano há uns três meses, que foi quando fui fazer alguma coisa do meu documento [...] Aí eles (policiais) me mostraram uma cópia do meu documento e comprovante de endereço, que fiz naquele dia”, afirmou a cliente, em entrevista à TV Anhanguera.
Segundo a sentença, a apuração teve início após a deflagração da Operação Red Bank. Conforme descrito nos autos, José Edvarde fornecia cópias de documentos de clientes que buscavam serviços na copiadora. O material era então utilizado para operações financeiras, principalmente na compra de moeda estrangeira, como dólares, exigência comum nesse tipo de transação. Cada cópia rendia ao empresário R$ 3,50.
As autoridades apontam que os documentos serviam para “esquentar” recursos obtidos com atividades criminosas, ocultando a origem do dinheiro. O método permitiu à polícia identificar integrantes da cúpula do Comando Vermelho em Goiás e rastrear a circulação dos valores, estruturada de forma a dificultar a fiscalização dos órgãos de controle.
Na sentença, a juíza Placidina Pires registrou que André Luiz só foi julgado agora porque estava custodiado em um presídio federal de segurança máxima, em Catanduvas (PR), o que atrasou sua participação nas audiências. Ele foi condenado a 11 anos, 4 meses e 20 dias de prisão em regime fechado. Já José Edvarde recebeu pena de sete anos e seis meses, também em regime fechado.
A decisão ainda determinou que ambos paguem, solidariamente, R$ 500 milhões a título de indenização por danos morais coletivos, em razão do impacto causado à sociedade. Atualmente, André Luiz permanece preso por outros processos criminais. O empresário responde em liberdade enquanto aguarda o trânsito em julgado da ação.
Para ocultar os valores ilícitos, o grupo utilizava empresas de fachada e recorria à prática conhecida como “smurfing”, que consiste em fragmentar grandes quantias em diversas operações menores para evitar alertas do sistema financeiro. Mesmo assim, movimentações incompatíveis com o faturamento declarado chamaram a atenção das autoridades, resultando na quebra de sigilos bancário e fiscal.
Durante a Operação Red Bank, a polícia apreendeu cerca de R$ 2 milhões em dinheiro vivo e 25 veículos de luxo, entre eles modelos como Maserati, Ferrari e Mustang. Parte dos automóveis estava registrada em nome de terceiros, mas, segundo a investigação, pertencia a integrantes da organização criminosa.


