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Goiânia, 27/02/26
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Bar fundado em 2018 por Heitor Vilela, Casa Liberté fecha as portas após último fim de semana de funcionamento

Casa Liberté encerra atividades após sete anos como ponto de encontro no Centro de Goiânia

16/01/2026, às 09:55 · Por Redação

“Caríssimos e caríssimas, hoje eu venho convidar vocês a celebrar o último final de semana da Casa Liberté”. Com essa mensagem, o jornalista e produtor cultural Heitor Vilela, de 31 anos, anunciou nas redes sociais o encerramento das atividades da Casa Liberté, bar que funcionava no Centro de Goiânia e que se consolidou, ao longo de sete anos, como espaço de convivência para públicos ligados à cena cultural alternativa e progressista.

Fundada em 2018, a Casa Liberté começou em um casarão na Rua 19, ao lado do Colégio Lyceu de Goiânia. Em 2021, o bar se mudou para a Rua 8, no mesmo bairro. Apesar da troca de endereço, segundo o proprietário, a proposta permaneceu a mesma: oferecer um “ponto seguro de encontro” para pessoas que buscavam lazer em um ambiente alinhado a valores de diversidade e convivência.

Em entrevista ao Jornal Opção, Heitor Vilela relembrou que a abertura do espaço ocorreu às vésperas das eleições de 2018, período marcado pelo acirramento da polarização política em Goiás e no país. “Havia uma demanda muito específica que era a de um espaço seguro de encontro para pessoas mais progressistas. Foi pouco antes da vitória do Bolsonaro, porque as pessoas estavam com medo de frequentar outros bares. Havia uma crescente de violência”, afirmou, ao mencionar o contexto da eleição de Jair Bolsonaro.

Com o passar dos anos, a Casa Liberté se firmou como local de convivência entre diferentes gerações e estilos. As apresentações de música ao vivo e as mesas espalhadas pela calçada da Rua 8 ajudaram a consolidar a imagem do bar como um reduto identificado com pautas progressistas no Centro da capital. O espaço chegou a ser frequentado por políticos ligados à esquerda, como os vereadores Aava Santiago, Fabrício Rosa, Kátia Maria e a deputada federal Adriana Accorsi.

O encerramento do bar ocorreu após o último fim de semana de funcionamento, entre os dias 9 e 11 de janeiro. À reportagem, Heitor atribuiu a decisão a um conjunto de fatores, entre eles dificuldades estruturais ainda presentes na região central. “A Rua 8 hoje está muito mais movimentada do que anos atrás. Mas esse movimento não é necessariamente positivo, ele traz problemas também. Nem todos os problemas foram sanados: tem a questão do acúmulo de lixo, da segurança pública”, disse.

Outro ponto destacado foi a mudança no perfil do público que passou a frequentar a região. “O público ficou muito jovem. Não é tanto a pegada que a gente quer, porque muda estilo de música, comportamento. Teve uma rejuvenescida no público e isso me fez não me reconhecer mais ali”, afirmou.

Apesar do fechamento da Casa Liberté, o produtor cultural afirmou que segue com novos planos. Ele estuda a possibilidade de abrir, ainda no Centro de Goiânia, um espaço dedicado a shows voltados ao público alternativo. A ideia, no entanto, permanece em fase inicial e sem definição de formato ou prazo.