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Goiânia, 27/02/26
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Área de florestas plantadas para extração de madeira em Goiás apresenta crescimento

Governo de Goiás lança plano para estimular setor florestal

15/01/2026, às 09:23 · Por Redação

O Governo de Goiás lança nesta quinta-feira (15/1) o Plano de Desenvolvimento do Setor Florestal, iniciativa que busca estimular a expansão da silvicultura e fortalecer a cadeia produtiva de madeira no estado. A proposta, coordenada pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), tem como foco a fabricação de papel e celulose e o uso da biomassa florestal em processos industriais.

O plano se baseia no Plano Diretor Estadual do Setor de Base Florestal, que reúne estudos edafoclimáticos, logísticos e econômicos para orientar investimentos e estruturar zonas produtivas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a produção florestal brasileira alcançou R$ 44,2 bilhões em 2024, crescimento de 16,7% em relação a 2023. A silvicultura respondeu por R$ 37,2 bilhões desse total, alta de 17,4%.

Em Goiás, a lenha segue como principal produto da silvicultura, mantendo o estado entre os maiores produtores nacionais de biomassa energética. Em 2024, foram produzidos 3,2 milhões de metros cúbicos de lenha de eucalipto. O maior avanço, porém, ocorreu na madeira em tora destinada ao setor de papel e celulose: 880,8 mil metros cúbicos, aumento de 228%, enquanto o valor da produção cresceu 921%. O estado também se destaca na produção de borracha natural.

Atualmente, Goiás conta com 123,2 mil hectares de florestas plantadas voltadas à produção florestal, que movimentaram R$ 782,6 milhões em 2024. Segundo a Seapa, a área pode crescer diante da demanda global e das condições climáticas do Cerrado. O Plano de Desenvolvimento do Setor Florestal, instituído pela Lei nº 21.674/2022, reconhece o segmento como estratégico e estabelece diretrizes para uma expansão sustentável.

Ao jornal O Popular, o titular da Seapa, Pedro Leonardo, disse que a produção de base florestal ainda não acompanha o ritmo de crescimento das agroindústrias e da mineração. “Nos estados com vocação produtiva, a produção dos produtos de base florestal tem sido pouco expressiva, considerando o aumento da demanda, principalmente por produtos voltados à fabricação de papel e celulose e à biomassa de eucalipto como matéria-prima de processos agroindustriais”, avalia.

Ele destaca que Goiás reúne vantagens logísticas e agronômicas, além de dispor de cerca de 7,5 milhões de hectares de pastagens degradadas ou em algum estágio de degradação, áreas que podem ser convertidas para a silvicultura. “São áreas que podem ser recuperadas através da silvicultura”, afirma. Segundo o secretário, a expansão também dialoga com a crescente demanda internacional por papel e celulose, sobretudo em países asiáticos, o que abre espaço para novos investimentos no estado.

O plano prevê medidas para simplificar procedimentos de licenciamento ambiental, incentivar a instalação de indústrias de papel e celulose, criar estímulos tributários e investir na qualificação de mão de obra. A proposta inclui ainda a oferta de crédito com condições adaptadas às características do setor, por meio de linhas já existentes no BNDES e no FCO Rural, além da criação de financiamentos específicos pela Goiás Fomento. “O retorno financeiro vem a longo prazo e o período de carência precisa equivaler a este tempo”, explica Pedro Leonardo.