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Goiânia, 27/02/26
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Escritora Lêda Selma retorna à presidência da Academia Goiana de Letras com foco em formação de leitores, visibilidade nacional da literatura goiana e diálogo com novas linguagens culturais

Ao assumir 3º mandato, Lêda Selma defende AGL mais aberta e conectada à sociedade

14/01/2026, às 09:09 · Por Redação

Eleita para um terceiro mandato — feito inédito desde a fundação da instituição, em 1939 — a escritora Lêda Selma reassume a presidência da Academia Goiana de Letras (AGL) com a proposta de aprofundar a abertura da casa à sociedade e reforçar seu papel como agente ativo da vida cultural em Goiás. A cerimônia de posse ocorre nesta quinta-feira (15/1), no Auditório Jaime Câmara, na sede da academia. Ela sucede Aidenor Aires e terá como vice-presidente o escritor Ademir Luiz.

O retorno ao comando da Academia, segundo Lêda, resulta de um processo de amadurecimento institucional e pessoal. Eleita pela primeira vez em 2015 por margem apertada, reeleita por unanimidade no mandato seguinte e agora escolhida novamente com votação expressiva, a escritora afirma em entrevista ao jornal O Popular que volta “com mais experiência, maturidade, segurança, coragem, ousadia e ideias novas” para a gestão 2026–2028.

Às vésperas dos 90 anos da AGL, Lêda Selma defende que o papel central de uma academia de letras segue sendo a preservação do idioma e a valorização da produção literária local, mas com novas ferramentas. Para ela, o ambiente digital encurtou caminhos e impôs às instituições culturais uma comunicação mais ágil e acessível. Nesse sentido, a presidente anuncia a retomada do site da AGL, criado em 2016, agora em versão mais atualizada, além de maior presença nas redes sociais.

A escritora sustenta que tradição não deve significar distanciamento. O respeito à história da Academia, afirma, pode coexistir com iniciativas de aproximação do público, como encontros informais, visitas de estudantes, festas literárias e ações culturais no entorno da sede. Entre as ideias citadas estão varais de poesia nos muros da instituição, eventos que integrem diferentes linguagens artísticas e a retomada da Festa Junina da AGL, realizada com boa adesão em edições anteriores.

Projetos criados em gestões passadas, como Academia na Escola, Academia na Rua e AGL na Calçada, também devem ser retomados. A expectativa é que essas ações ampliem o interesse de jovens pela leitura e aproximem professores e leitores da literatura produzida em Goiás. Para Lêda, a Academia precisa ser reconhecida como espaço vivo, que dialoga com a comunidade e não se restringe ao convívio interno dos acadêmicos.

Ao tratar da projeção nacional dos autores goianos, a presidente avalia que a produção local tem qualidade reconhecida, mas enfrenta dificuldades de circulação. Ela defende uma postura mais ativa dos escritores e das instituições, com uso estratégico da internet, articulação por meio de academias e aproveitamento das leis de incentivo à cultura. A intermediação da AGL, nesse contexto, pode ajudar a romper o anonimato e ampliar a presença dos autores do Estado em outros mercados.

Poeta e prosadora, Lêda Selma afirma que sua experiência criativa influencia diretamente a gestão cultural, sobretudo pela sensibilidade e pela atenção ao trabalho coletivo. Ela lembra que, no início, houve questionamentos sobre sua aptidão administrativa, mas diz ter aprendido que a gestão se constrói na prática, com diálogo e equipe.

Para o fim do mandato, o principal legado pretendido é a viabilização da construção de um novo prédio em terreno pertencente à Academia, com auditório amplo e estrutura adequada para eventos culturais. A presidente recorda que, em gestões anteriores, promoveu a reforma das duas casas que compõem a AGL, por meio de projetos aprovados no Fundo de Arte e Cultura de Goiás. Ao olhar para 2028, ela afirma desejar que a instituição seja vista como longeva, respeitada e cumpridora de sua missão cultural, com trajetória contínua e presença reconhecida na sociedade goiana.


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