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Foto: Lincoln-Leão
Em outubro, será candidata à deputada federal. É sua prova de fogo.
Coluna do Pablo Kossa: Para onde vai Aava Santiago?
11/01/2026, às 20:56 · Por Pablo Kossa
Aava Santiago mudou de patamar. Vereadora goianiense atuante, ela era a maior revelação da esquerda goiana junto de Fabrício Rosa. Só que revelação tem aquela coisa de categoria de base, algo que ainda pode acontecer, com um quê de expectativa. Por isso Aava era revelação, não é mais. Agora é realidade. Ao assumir o comando estadual do PSB ela adquire outro status político.
O Partido Socialista Brasileiro tem história. Sigla antiga que começa ainda na primeira metade do século XX, tem em Pernambuco sua base forte. Desde Miguel Arraes chegando a João Campos, atual presidente do partido e bisneto de Arraes, foi do estado nordestino que partiu a liderança nacional do PSB. Por isso é simbólico que Aava receba o comando goiano da sigla em Recife.
O PSB é um partido que sempre se posicionou à esquerda do espectro ideológico. Em momentos com mais intensidade, em outros com menos, é verdade. Mas só pra lhe dar uma ideia, em 1989 o partido ocupou a vice de Lula com o gaúcho José Paulo Bisol. Entendeu o quão antiga é a aliança ente PT e PSB?
Elias Vaz, quadro que cede o controle partidário em Goiás à Aava, tem história respeitável na esquerda de nosso estado. Desde que surgiu politicamente no movimento das vans em Goiânia, transitou em siglas de esquerda como PSTU e PSol sempre com votações expressivas, seja vencendo ou perdendo eleições. É um quadro inequívoco de esquerda. Mas nem sempre o partido teve esse perfil em Goiás.
Figuras da direita goiana como a família Tejota, Lúcia Vânia e Barbosa Neto já tiveram o controle do partido. Até o bolsonarista Lissauer Vieira já foi, veja você, do Partido Socialista Brasileiro. Coisas que a pouca identificação ideológica da política brasileira provoca.
Com Aava no comando, o PSB será essencialmente um partido de esquerda. Muito mais do que quando tocado por Elias Vaz, que hoje é do grupo político de Bruno Peixoto que tem em Ronaldo Caiado sua liderança.
E é aqui que chego à pergunta central: o que quer Aava Santiago? Ela verbaliza que seu projeto de longo prazo é ser governadora de Goiás. Para isso, sabe que tem muito chão a percorrer. Em outubro, será candidata à deputada federal. É sua prova de fogo. Uma vitória expressiva a coloca como player real para trabalhar seu projeto de ser inquilina do Palácio das Esmeraldas. Uma derrota a levará a um recálculo de rota.
Ao receber de João Campos o partido em Goiás, ela assumiu também o compromisso de fortalecer o palanque de Lula em Goiás. Tucana desde a adolescência com uma rápida passagem pelo Avante, ela tem excelente relação com Marconi Perillo. Não é de hoje que ela tenta uma aproximação entre o ex-governador e o petista. Nunca avançou por conta do antipetismo atávico de parte da base marconista histórica em Goiás. Marconi nunca teve peito pra romper essa fronteira. Aava conseguirá quebrar a resistência de seu antigo líder perante Lula? A ver.
Caso consiga, tem uma vitória para chamar de sua. Se não, precisará quebrar a cabeça para que o desempenho do candidato de esquerda seja superior aos quase 7% dos votos válidos que Wolmir Amado teve pelo PT em 2022. Caso ultrapasse os 15% que Marina Sant’anna teve em 2002, candidatura de esquerda com votação recorde em nosso estado desde a redemocratização, será também um golaço de Aava junto de todo este campo goiano.
Ao deixar o PSDB e assumir o PSB, Aava mostrou ousadia, como é de seu feitio. E quem está na chuva, aprendemos com Vicente Matheus, é pra se queimar. Ela adentrou o temporal. Precisará ter couro grosso pra aguentar as consequências.
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